quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Rádio Guaíba: Moradores do Morro Santa Tereza exigem andamento no projeto de regularização e urbanização da área

Governador assinou decreto reconhecendo o direito à moradia, mas debate sobre a regularização não avançou

Moradores da área da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), no Morro Santa Tereza, em Porto Alegre, cobram do governo do Estado o andamento do projeto de regularização e urbanização da área. No mês de maio, o governador Tarso Genro assinou decreto reconhecendo o direito de moradia a população que reside na área mas, até agora, o projeto não avançou.

Ontem, um grupo de representantes das comunidades União Santa Tereza, Padre Cacique e vilas Gaúcha e Ecológica estiveram no Palácio Piratini para protestar e para reivindicar a participação deles nos debates sobre o projeto. A intenção era serem recebidos pelo governador, no entanto os moradores do Morro Santa Teresa foram recepcionados pela Assessoria Superior da Casa Civil, que prometeu dar encaminhamento ao pleito.

Morador há 35 anos da Vila Gaúcha, o carpinteiro Darci Campos dos Santos, de 61 anos, diz que a família toda vive no local desde a época dos avós. Segundo ele, a situação dos moradores é complicada porque, em muitas residências, não há água nem luz regularizadas e o esgoto corre a céu aberto.

Vivendo na comunidade Padre Cacique desde que nasceu, há 52 anos, a líder comunitária Nádia Maria Pacheco diz que as ruas também não têm numeração, outra dificuldade enfrentada pelos moradores. Nádia afirma que está preocupada com o futuro das famílias, e também com a demora na formação do grupo de trabalho que tratará da urbanização do Morro Santa Teresa, que seria formado em agosto.

Durante o governo passado, a então governadora Yeda Crusius chegou a encaminhar para a Assembleia Legislativa projeto de lei que permitia a venda ou permuta do espaço de mais de 70 hectares. O objetivo era dar andamento ao projeto de descentralização da Fase, instalada em uma parte da área, na avenida Padre Cacique, em frente ao estádio Beira-Rio. A proposta foi barrada na Assembleia Legislativa, por força da mobilização popular.

Fonte: Janine Souza/Rádio Guaíba

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Uma permuta suspeita

Paulo Muzell - ONG Cidade

Por ampla maioria de votos, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, quarta-feira (9) o projeto de lei do Executivo que autoriza a permuta de uma área do Jockey Club (JC) por um imóvel da Prefeitura. O imóvel do JC segundo a exposição de motivos seria necessário à uma estação do BRT (“Bus Rapid Transit”) e à implantação de uma nova rótula na região. É de se estranhar a velocidade relâmpago da tramitação e aprovação da permuta de vez que o projeto BRT dormita há vários anos no governo Fo-Fo (Fogaça-Fortunati) que até hoje não gastou sequer um real dos últimos três últimos orçamentos municipais na sua execução.

Tudo feito às pressas, a “toque de caixa”, sem melhor avaliação e discussão porque o vereador do PDT, Mauro Zacher, teve aprovado seu pedido de urgência. Com a troca, o JC terá uma área de localização privilegiada, altamente valorizada e cobiçada pelo mercado imobiliário, que viabilizará a construção de duas grandes torres com ampla vista panorâmica para o lago Guaíba. A informação foi prestada pelo ex-presidente do Jockey, Raul Gudolle, que, em meados de 2010, iniciou o processo de recuperação da entidade, atolada em dívidas. É bom lembrar que o Jockey Club contou à época com o decisivo apoio da ex-governadora Yeda Crusius que encaminhou e aprovou na Assembléia Legislativa projeto de lei doando ao JC a área de propriedade do Estado.

Até aí nenhuma novidade: o poder público utilizou – mais de uma vez, ressalte-se – o “manto” da recuperação financeira de uma entidade esportiva centenária para atender os interesses reais, ocultos, dos grandes interesses imobiliários. É bom lembrar que nos últimos anos a Copa do Mundo, o Grêmio, o Inter, a revitalização da orla, do Cais do Porto foram também pretextos utilizados para realizar alterações no zoneamento de uso, nas alturas, taxas de ocupação e índices construtivos de áreas estrategicamente localizadas, de vital importância para viabilizar empreendimentos da construção civil. Lamentavelmente, o Executivo Municipal com a chancela da Câmara transferiu para o setor privado através deste mecanismo centenas e centenas de milhões de reais do patrimônio público.

A bancada do governo, com o surpreendente apoio e voto de quatro vereadores do PT – do seu presidente municipal, Adeli Sell, de Aldacir Oliboni, do engº Comassetto e do seu líder de bancada, Mauro Pinheiro – votou a favor do projeto, totalizando uma esmagadora maioria de 26 votos favoráveis. Houve apenas seis escassos votos contrários: o de Maria Celeste (PT), Carlos Todeschini (PT), Sofia Cavedon (PT), Pedro Ruas (PSOL), Fernanda Melchionna (PSOL) e Haroldo de Souza (PMDB).

Moradores de inúmeras associações da região se manifestaram ruidosamente no plenário, protestando contra a permuta. Pretendiam que a área da Prefeitura fosse destinada para sua relocalização decorrente das obras viárias previstas. O vereador Pedro Ruas afirmou que a área da Prefeitura já foi negociada pelo Jockey com uma empreiteira, por valor muito superior à avaliação realizada pela Prefeitura, lançando, assim, suspeitas sobre a permuta.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

HOJE, ÀS 14h, VAMOS À CÂMARA: VOTAÇÃO DE PL QUE CEDE ÁREA DO DMLU AO JÓQUEI NO CRISTAL

No plenário desta QUARTA-FEIRA da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, a partir das 14h, ocorre a votação do Projeto de Lei (PL) da prefeitura que troca a área do DMLU (na avenida Diário de Notícias) por um terreno na Icaraí, onde será construído uma rótula (faz parte do projeto de duplicação da Avenida Tronco).


Segundo o PL a área do DMLU, pertencente à prefeitura, será permutada pelo terreno da Icaraí, do Jóquei Clube. Com isso, o terreno do DMLU passará ao Jóquei e, com uma grande possibilidade de depois ser “vendido” ao BarraShopping/Multiplan. Como essa área do DMLU fica ao lado das cocheiras do Jóquei, ela será a saída direta dos empreendimentos que a empreiteira quer construir no local para o Rio Guaíba.

Comunidades do Cristal estão se mobilizando para ir na plenária de amanhã e fazer pressão para que os vereadores votem CONTRA o PL.
Elas querem que esse terreno do DMLU, portanto público, seja destinado à moradia das famílias que serão removidas devido às obras da Tronco e às que vivem em locais de risco na região.

CONVIDAMOS TODOS E TODAS QUE PUDEREM IR HOJE À TARDE À CÂMARA DE VEREADORES PARA SE JUNTAREM À PRESSÃO CONTRA A APROVAÇÃO DO PL.

AJUDE A DIVULGAR! PASSE POR LÁ!

A Lei Geral dos interesses particulares

Por Leandro Franklin Gorsdorf e Thiago A. P. Hoshino - Le Monde Diplomatic


Diz-se que agosto é mês de desgosto. Pelo andar da carruagem, novembro quer assumir a alcunha este ano. Joseph Blatter, presidente da Fifa, já declarou que poderá vir pessoalmente ao Brasil nesse período para aparar, de uma vez por todas, as arestas com o governo federal sobre a legislação que regulamentará a realização da Copa do Mundo de 2014.

O meio de campo político desse encontro permanece conturbado: além de um conjunto de escândalos e acusações direcionadas ao ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva – que vinha intermediando as negociações –, segue uma falsa disputa que envolve, de um lado, os entes federativos e, de outro, as instituições organizadoras, em torno de um conjunto de alterações legislativas e medidas administrativas de caráter excepcional. No centro da discussão, o Projeto de Lei n. 2.330/2011, a chamada Lei Geral da Copa, apresentada em setembro ao Congresso.

A tendência desconcertante, contudo, é que essa queda de braço se transforme, paulatinamente, num caloroso aperto de mão. Afinal, ambos os lados parecem admitir, ainda que com pequenas divergências, que a recepção de um megaevento esportivo como esse autoriza também megaviolações de direitos, megaendividamento público e megairregularidades.

Ex-porte: negócios privados, ônus público

Este é o padrão do modelo empresarial assumido pelo Mundial de Futebol e pelas Olimpíadas em suas edições anteriores: especulação imobiliária em Barcelona, remoções maciças em Pequim, superendividamento na Grécia, higienização social na África do Sul. Tais casos são sintomas de que já não está em jogo o esporte, mas, primordialmente, o leque de possibilidades econômicas a ele vinculado. E, como em toda atividade capitalista, também aqui emerge um esforço bastante weberiano dos agentes de mercado por garantir previsibilidade e calculabilidade para seus investimentos.

Essas garantias são, amiúde, traduzidas na forma de uma demanda das empresas, dos consórcios e das instituições financeiras por maior segurança jurídica em suas transações. Concretamente, a Fifa tem sido o canal de vazão desses interesses, a partir do conjunto de contratos de caráter particular entabulados com os países anfitriões e cidades-sede, desde o momento de sua candidatura. Cadernos de Encargos, Matrizes de Responsabilidade e Host City Agreementsestabelecem uma série de exigências aos países, muitas das quais representando, na prática, significativos prejuízos à sua própria população.

Portanto, uma equação de ganhos e perdas que não é equânime. É preciso urgentemente questionar a legitimidade social desse tipo de relação de vassalagem política, que endossa um bloco de negócios privados gerador de considerável ônus público.

Ordem e desordem jurídica

Vale dizer: a maior parte dessas movimentações se processa à revelia ou em contradição com os próprios ordenamentos jurídicos nacionais. Por esse motivo é tão importante para organismos como a Fifa a aprovação de mudanças na legislação interna dos países. A atual proposta de Lei Geral da Copa, por sua vez, é também fruto de pressões desse tipo e se insere num panorama mais amplo de mutação jurídica encomendada.

Perante as diversas leis e atos “de exceção”, a dúvida que resta é se direitos fundamentais constitucionalmente considerados cláusulas pétreas, isto é, princípios intocáveis pelo próprio Poder Legislativo, podem ser abolidos ou atropelados por acordos com a Fifa e o COI. Processo semelhante de desconstrução de direitos não é novo no Brasil, e têm sido reiteradas as tentativas de enfraquecê-los. Uma das estratégias mais frequentes nesse campo é a utilização de medidas provisórias, que, de instrumentos de exceção, passaram a constituir ferramenta cotidiana de ingerência imediata do Executivo: com Fernando Henrique Cardoso, foram editadas 82 delas; com Lula, 72.

Parafraseando Giorgio Agamben, é possível afirmar que quando a exceção se transforma em regra, ou melhor, quando regra e exceção se mostram indistinguíveis, ordem e desordem jurídicas se confundem, e o paradigma da política tem no campo, seja ele de extermínio, de concentração ou de refugiados – e, talvez, em nosso caso, o de futebol –, sua principal referência e imagem da exclusão.

sábado, 5 de novembro de 2011

Luta das comunidades do Cristal faz prefeitura se posicionar sobre duplicação da Avenida Tronco

Visita de Fortunati na Vila Cristal.
Crédito: Ivo Gonçalves/PMPA
 
A luta da comunidade do bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre, teve mais uma vitória nesta semana. Na terça-feira (01/11), o prefeito José Fortunati visitou a região, acompanhado de secretários, integrantes do governo e representantes do Orçamento Participativo (OP).
Além de averiguar obras demandadas pelo OP na região, o prefeito se reuniu com os moradores da Vila Cristal para falar sobre a duplicação da Avenida Tronco – atendendo a um pedido feito, há tempos, pela comunidade. Em sua visita, o prefeito se comprometeu com praticamente todas as reivindicações da comunidade e do Comitê Popular da Copa: que as famílias a serem removidas pela obra serão reassentadas na região, que não haverá aluguel social, que a comunidade será ouvida no processo.

Fortunati também apresentou outro discurso às lideranças locais, ao afirmar que a duplicação da Avenida Tronco não será feita à toque de caixa. Ele citou a presidente Dilma Rousseff, que considera as reformas nos aeroportos e os estádios as obras que devem estar obrigatoriamente prontas para a Copa. O prefeito disse que a duplicação da Tronco é uma obra necessária para a melhoria do trânsito em Porto Alegre e que será feita a seu tempo, respeitando os direitos da população local.


Ou seja: Fortunati REAFIRMOU a posição que a comunidade e o Comitê Popular da Copa sempre defenderam, desde o anúncio da obra pela prefeitura. Sempre denunciamos que fazer a duplicação da Avenida Tronco “nas coxas” certamente implicaria na remoção das famílias de qualquer jeito e para qualquer lugar, com um planejamento precário e sem infraestrutura. Se o projeto fosse executado assim, corre-se o risco de a obra não dar certo.
Parece que o prefeito, que já chamou as comunidades das vilas Divisa e Cristal e o Comitê de "um grupo contra o progresso" (CLIQUE AQUI para relembrar) e jogou a responsabilidade de a obra não acontecer em cima das famílias e dos protestos (CLIQUE AQUI para rever), compreendeu a nossa luta.

Sobre a desapropriação da área das cocheiras do Jóquei Clube para moradia popular, o prefeito não disse uma única palavra. Esta é uma mais uma reivindicação que as comunidades continuam a pleitear.


Vamos ficar em alerta, porque as eleições municipais de 2012 já estão aí! As famílias estão cheias de promessas! Se precisar, irão para as ruas novamente!

Visita de Fortunati seguiu roteiro já feito por relatora da ONU

A visita de Fortunati fez parte do projeto Prefeitura na Comunidade, do governo municipal. Coincidência ou não (o Comitê Popular da Copa em Porto Alegre não acredita mais em Papai Noel e nem no Coelhinho da Páscoa), o roteiro feito pelo prefeito na região é praticamente o mesmo visitado pela relatora da ONU (Organização das Nações Unidas), Raquel Rolnik, em Agosto. A vinda da relatora da ONU para o Direito à Moradia Adequada foi organizadas pelas comunidades da Dique, Cristal, Divisa, Morro Santa Teresa e pelo Comitê Popular da Copa.

CLIQUE AQUI
para relembrar o roteiro da visita da Raquel Rolnik (o roteiro de sexta-feira foi na região do Cristal).

Abaixo, o roteiro feito pelo prefeito Fortunati:


ROTEIRO DA VISITA - Cristal
01/11/2011


9h – Saída do Paço Municipal
9h30min – Vila Cristal - Comunidade pede informações sobre as obras da copa
9h50min – Vila Pedreira - Rua Ursa maior, 537
10h20min – Associação Mulheres Anita Garibaldi - Campos Velho, 1005
10h50min – Vila Hípica
11h20min – Vilas da Nossa Senhora das Graças
11h40min - Associação de moradores da Rua Tamandaré – Rua Tamandaré, 984.
12h – PSF São Gabriel – Rua Gilberto Jaime, 65
12h20min - Almoço para autoridades e convidados da comunidade na Casa de Nazaré – Rua Cel. Timóteo, 350

Ôpa! Tirem suas próprias conclusões!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nota Oficial da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa

A Copa e a queda de Orlando Silva

A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa das 12 cidades-sede, composta por movimentos sociais e populares, entidades, organizações e militantes que defendem uma Copa inclusiva, democrática e sem violações de direitos humanos, vêm a público se manifestar sobre a saída de Orlando Silva do Ministério dos Esportes, bem como reforçar a preocupação com a condução das questões relacionadas aos Mega Eventos no Brasil.

A gestão do ex-ministro Orlando Silva foi incapaz de avançar na efetivação da Política Nacional de Esporte. Ainda foi marcada pelo aparelhamento do Ministério para favorecimento das grandes empresas, pela terceirização da política pública através dos convênios com entidades particulares, pelo desrespeito aos atletas (muitos dos que competiram no PAN ficaram todo o primeiro semestre de 2011 sem receber o apoio financeiro das bolsas governamentais) e pelo descumprimento das decisões e diretrizes das Conferências Nacionais dos Esportes, como a criação do Sistema Nacional do Esporte e Lazer.

Durante o período em que esteve à frente do Ministério dos Esportes, experimentou-se pronunciada omissão do Estado na construção de uma política pública séria e efetiva no campo esportivo, bem como seguido desrespeito à sociedade civil e aos processos de participação democrática, motivo que, sozinho, já justificaria sua retirada.

Porém, seu principal legado é a condução autoritária e nebulosa das negociações e implantação da Copa do Mundo de 2014. Infelizmente, mais próximos de uma vitrine de oportunidades econômicas especulativas do que de um evento esportivo, visando sobretudo o lucro e o favorecimento da FIFA e de seus patrocinadores. Os jogos projetados pela gestão de Orlando Silva, e de todo o governo federal, são responsáveis diretos pelos grandes prejuízos sociais, econômicos e culturais já instaurados ou em fase de consolidação no país.

Acompanhamos diariamente o estado de exceção imposto para a viabilização da Copa no Brasil nos moldes ditados pela FIFA. Vemos populações inteiras sendo despejadas (números ainda provisórios apontam que aproximadamente 150 mil famílias serão atingidas), camelôs sendo proibidos de exercer suas atividades, moradores em situação de rua expulsos, cidades militarizadas, obras superfaturadas, desvio de dinheiro público e a criação de uma base legal que visa ferir a soberania brasileira e os direitos historicamente conquistados.

A Lei Geral da Copa, idealizada também pelo Ministério de Orlando Silva e agora em discussão no Congresso Nacional, merece atenção e desconfiança da população, pois prevê:

a) as patentes para a FIFA de nomes e símbolos relacionados à Copa;

b) a supressão dos direitos à meia-entrada e outros direitos do consumidor conquistados;

c) a proibição de atividade em território público, mas considerado pela FIFA como de interesse dos jogos;

d) a substituição do visto consular pelo ingresso vendido pela FIFA como autorização de entrada no país; e, principalmente,

e) pela submissão do Estado brasileiro como responsável por todos os prejuízos da entidade.

Ademais, a Lei Geral também cria novos tipos penais e juizados especiais que servirão para coibir e criminalizar a população brasileira em seu próprio território, colocando os interesses estrangeiros (da FIFA) acima dos nacionais.

A FIFA é uma empresa privada, assim como seu Comitê Organizador Local, e tanto a empresa quanto seus dirigentes são alvo de inúmeras denúncias e investigações internacionais.

Finalmente, o Ministério dos Esportes e o governo brasileiro já autorizaram maior endividamento dos estados e municípios para a Copa. Também aprovaram orçamentos bilionários, desvirtuando prioridades, e isenção fiscal para todas as atividades relacionadas aos Mega Eventos. Ou seja, a FIFA e as pessoas a ela ligadas não pagarão um único centavo de impostos no Brasil. Ficará a dívida, a conta que já está sendo paga pela falta de investimentos nas políticas de saúde, educação, habitação e trabalho, entre outras.

Orlando Silva caiu depois de uma gestão desastrosa para o Esporte e a sociedade brasileira. Infelizmente, porém, esta mesma política deve continuar com Aldo Rebelo, uma vez que ainda não foi questionada.

Lutaremos sempre para barrar medidas abusivas como a Lei Geral e garantir o direito das populações atingidas pela Copa do Mundo.

O ministro sai acuado por várias denúncias de desvio de verba e favorecimento ilícito. Nos posicionamos pela justiça e respeito aos direitos e garantias fundamentais como princípio norteador. E defendemos também a publicidade e transparência, inclusive para que a população saiba, dentre outras coisas, que o novo Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, teve sua campanha financiada por pelo menos três dos 10 patrocinadores nacionais da CBF, além de empreiteiras beneficiadas com as obras da Copa de 2014.

Por essas razões, defendemos acima de tudo:

a) que as obras para a viabilização da Copa de 2014 sejam realizadas com transparência, participação e controle social, assegurando o direito à moradia e ao trabalho; todas as populações (trabalhadores e moradores) removidos pelas obras da Copa tenham seu direito de defesa respeitado; e possam ter de volta moradia e emprego dignos;

b) que os(as) atletas olímpicos tenham seu direito à bolsa Atleta garantido e que as políticas da Conferência de Esporte sejam cumpridas, bem como que a Política de Esporte Nacional seja desenvolvida de forma responsável e pública, e não através de transferência de recursos a convênios privados sem controle social;

c) que a população brasileira tenha o direito de opinar sobre a perda de soberania com a Lei Geral da Copa, os gastos bilionários do orçamento público para a realização da Copa e a isenção de impostos para a Fifa.
Sem estes direitos assegurados, de nada vale o direito de defesa do ministro, do governo federal e da FIFA, pois seus crimes e violações continuarão em curso.

Assinam esta nota os Comitês Populares da Copa de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Manaus, Cuiabá, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba e Natal.

31 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Guadalajara gastou 30% menos que o Rio na preparação do Pan


Por Portal 2014

Brasil gastou R$ 3,23 bilhões, enquanto custo mexicano ficou em R$ 2,32 bilhões

O governo da priovíncia de Jalisco, no México, divulgou o total de investimentos na preparação de Guadalajara para os Jogos Pan-Americanos de 2011. De acordo com o Instituto de Estudos sobre Esporte, Cultura e Sociedade (Indecus) do governo mexicano, o gasto total estimado é de US$ 1,343 bilhão (R$ 2,32 bi). 

Comparado com o custo total do Pan do Rio de Janeiro de 2007, o valor empregado na preparação de Guadalajara é quase 30% menor. A capital fluminense gastou US$ 1,9 bilhão (R$ 3,23 bi) com as instalações do evento.


O levantamento do governo mexicano também comparou os gastos com as últimas seis Olimpíadas. Desde os jogos de Seul, em 1988, a preparação mais barata ocorreu em Atlanta-96: US$ 2,5 bilhões. O maior investimento ocorreu em Pequim, em 2008, com total de US$ 43 bilhões. Atenas, a segunda colocada, está em segundo, com US$ 11,6 bilhões.


O governo mexicano ressalta também o total de investimentos privados em relação aos gastos públicos. Segundo o instituto, as empresas privadas são responsáveis por 75% dos gastos.Em relação à captação de recursos com publicidade, a cidade mexicana arrecadou até o momento US$ 70 milhões. 


De acordo com Horacio de la Vega, diretor comercial do Comité Organizador do Pan-2011, o Rio captou somente US$ 40 milhões.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Copa do Mundo é nossa?

Por Juca Kfouri - Revista Interesse Nacional


Para começar o jogo, pense nisso: na França, em 1998, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Michel Platini, melhor jogador da história do futebol francês até que, naquela Copa, Zinedine Zidane lhe tomasse a coroa. Platini não era o presidente da FFF, a Federação Francesa de Futebol.
Na Alemanha, em 2006, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo foi Franz Beckenbauer, o Kaiser, melhor jogador da história do futebol alemão até hoje. Beckenbauer não era o presidente da DFB, a Federação Alemã de Futebol.
No Brasil, para 2014, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo é Ricardo Terra Teixeira, que jamais jogou futebol.
Teixeira é também o presidente da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.
A secretária executiva do COL é sua filha, neta de João Havelange; o diretor jurídico é também advogado de Teixeira e o homem de imprensa é o mesmo da CBF.
Para continuar o jogo, ainda no primeiro tempo, lembre-se disso: o estádio do Morumbi, que há 50 anos serve o futebol mundial, palco de decisões da Copa Libertadores da América com as presenças do São Paulo, do Palmeiras e do Santos, além de já ter recebido um sem-número de jogos da Seleção Brasileira, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, e de ter sido sede dos jogos do Corinthians no primeiro Mundial de Clubes da Fifa, foi descartado para receber os jogos da Copa 2014, cinco ou seis no máximo, num evento que dura trinta dias.
Ao se submeter aos caprichos de Teixeira, brigado com a direção do São Paulo FC, dono do Morumbi, três governadores tucanos esqueceram do lema da cidade paulistana – Non ducor, duco (Não sou conduzido, conduzo) – e se submeteram ao despautério de construir um novo estádio numa cidade que tem também o Pacaembu e terá a nova arena do Palmeiras.
Orgia de construção de novos estádios
Em compensação, estão em construção estádios em Cuiabá, em Manaus e emBrasília, onde nem futebol realmente profissional há. Como se ergue outro no Recife, embora a cidade tenha três estádios e seus três donos, o Sport, o Santa Cruz e o Náutico, já tenham anunciado que não cogitam a possibilidade de usar a nova arena. Natal também tenta erguer seu estádio, chamado Arena das Dunas, Sanud ao contrário, e ali pelo fim do jogo voltaremos à alusão aparentemente tão estranha.
É importante frisar que, quando a Copa do Mundo foi realizada nos Estados Unidos, nem sequer um estádio foi erguido para recebê-la, assim como a França, quatro anos depois, construiu apenas um, o Stade de France, em Saint-Denis, nos arredores de Paris.
No Brasil, porém, o Maracanã foi demolido para ser feito outro, embora o lendário santuário do futebol tenha sido reformado para os Jogos PanAmericanos de 2007.
Do mesmo modo, acontece com o Mineirão, e na São Paulo do Morumbi, do Pacaembu e da nova arena do Palmeiras, ergue-se, em Itaquera, o Fielzão, para o Corinthians.
No Rio de Janeiro, por sinal, existe o mais moderno estádio do país, o Engenhão, inaugurado no Pan e nem cogitado para receber jogos da Copa.
Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Fortaleza também estão na festa dos estádios, seja na reforma do Beira-Rio, na ampliação da Arena da Baixada ou da reconstrução da Fonte Nova e do Castelão.
Enquanto isso os aeroportos, as estradas, a rede hospitalar, a hoteleira…
Em torno da construção de arenas esportivas, por sinal, não são poucas as mentiras que se inventam para justificá-las.
Não é verdade que sejam,necessariamente, polos de progresso para as regiões em que se instalam e basta olhar exatamente para a região do Engenhão para constatar.
Do mesmo modo acontece no Soweto, em Joanesburgo, que não foi beneficiado pela construção do Soccer City, um estádio desnecessário e a quatro quilômetros do histórico Ellis Park, o estádio em que Nelson Mandela quebrou de vez o preconceito dos negros com o rúgbi, esporte dos brancos, ao ir prestigiar a final da Copa do Mundo da modalidade.
É famosa a história que cerca a New Orleans Arena, inaugurada em 1999 com capacidade para receber vinte mil pessoas que só provou mesmo sua utilidade, segundo os habitantes da cidade na Louisiana, quando o furacão Katrina, em 2005, destruiu a região e o ginásio foi usado como abrigo dos que perderam tudo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Operários da Arena deixam RS assustados e criticando investigação

Por indignação, por medo ou por protesto, cerca de 150 trabalhadores das obras de construção da Arena do Grêmio pediram demissão nesta quarta-feira (05/10). Muitos já retornaram ontem mesmo, de ônibus, às suas moradias de origem - viagem que deve durar dias, pois boa parte dos trabalhadores veio do Nordeste.

A Polícia gaúcha, numa mostra de eficiência, já aponta um responsável pelo incêndio nos alojamentos dos trabalhadores. Um rapaz de 22 anos, de São Paulo. Irá indiciá-lo por vários crimes. Será que o mesmo acontecerá com a construtora OAS pelas más condições dos alojamentos e de trabalho no local, como já denunciaram reportagens??

Matéria do Do Sul 21
Operários da Arena deixam RS assustados e criticando investigação
Situação levou vereadores a visitarem o canteiro de
obras da Arena do Grêmio | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Felipe Prestes


Boa parte dos cerca de 150 operários que pediram demissão da obra da Arena do Grêmio, em Porto Alegre, deixou o Rio Grande do Sul ainda na noite desta quarta-feira (5). Por volta das 21h, um grupo deixou a capital gaúcha de ônibus, rumo a vários Estados do Nordeste. No início da noite, o Sul21 conseguiu conversar com três deles na estação. Oriundos de Teresina, Piauí, eles estavam assustados com o incêndio nos alojamentos e irritados pela desconfiança da polícia e da empresa, aliada à falta de respaldo do sindicato da categoria de trabalhadores da construção pesada.


Leia mais:
- Após incêndio, cerca de 150 operários pedem demissão
- Polícia aponta operário de 22 anos como autor de incêndio na Arena
- Vereadores não conseguem entrar no canteiro de obras

Os três nem bem haviam se adaptado a Porto Alegre quando aconteceu a morte por atropelamento de um operário e o incêndio, que automaticamente foi atribuído a operários indignados. Diante dos acontecimentos, preferiram voltar logo para casa. Ficaram apenas 23 dias em Porto Alegre. “Aconteceu uma vez, pode acontecer outra”, disse Edvaldo. “Ficamos abalados, com medo. Vai que alguém toca fogo enquanto estivermos dormindo, à noite? Graças a Deus não aconteceu nada assim”, afirmou Antônio.

A imputação do incêndio a operários também incomodou os três. “Ninguém tem certeza do que aconteceu. Ninguém pode confirmar ainda quem foi responsável pelo incêndio”, afirmou Antônio. Eles criticaram a OAS, empreiteira responsável pelas obras, e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada do RS (Siticepot-RS). “O sindicato é fraco”, disse um terceiro, que não quis se identificar, insinuando que a entidade não ficou do lado dos operários. “Enquanto existir OAS não me chamem”, brincou Edvaldo. “Eles pensam que não, mas têm muitas firmas que precisam da gente”, completou.


Apesar disso, os operários ressaltam que não havia um clima de animosidade com a empresa, nem fazem queixas às relações que mantinham com os empregadores. Eles afirmam que tinham chegado há pouco tempo e não sabem se houve algum problema anterior.


As críticas residem no fato de terem se sentido responsabilizados pelo incêndio e se concentram ainda mais na ação da Polícia Civil, responsável pela investigação do incêndio. “A ação da polícia incomodou. Tratou a todos como se fossem criminosos. Acredito que estamos sendo perseguidos até aqui na rodoviária”, disse Antônio.


Outro grupo de três operários que iam para a Bahia descansava dentro de uma van estacionada em frente à rodoviária. Abordados pela reportagem, eles evitaram dizer qualquer coisa sobre os motivos que os fizeram deixar a obra.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Piada do dia: Demhab diz que ocupação da luta por moradia causa ESPANTO

O blog do Comitê Popular da Copa reproduz aqui a informação veiculada pela Rádio Guaíba, de que o diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Humberto Goulart, recebeu COM ESPANTO a notícia das duas ocupações das famílias do movimento da Luta pela Moradia.

Aqui fica registrada mais uma pérola do diretor do DEMHAB de Porto Alegre. O grifo em vermelho foi feito pelo blog.


Segue a informação retirada do site da Rádio Guaíba:

 "O diretor-geral do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Humberto Goulart, disse que recebeu com o espanto a notícia da ocupação e explicou que já negocia com o MNLM o reassentamento de famílias em um prédio cedido pela União. "Há cerca de quatro meses, garantimos a eles que eles iriam ficar com um prédio que fica na rua Barros Cassal.
Já prometemos a eles, através do Orçamento Participativo, um determinado número de apartamentos apesar dessas iniciativas que eles promovem", explicou.

Na avaliação de Goulart, não há necessidade para a ocupação. "Com as obras para a Copa do Mundo de 2014, nós seremos obrigados a reassentá-los porque eles não poderão ficar próximos ao estádio do Inter. Graças ao programa Minha Casa, Minha Vida poderemos fazer isso dentro de sete meses", acrescentou.

O dirigente do Demhab lamentou a dificuldade em negociar com os representantes do MNLM. "Eles têm um lema muito estranho: 'Vamos conseguir casa nem que seja na marra'. Fica complicado realizar negociações com pessoas que tomam atitudes dessa natureza. O que vai acontecer é que teremos que retirá-los com a ajuda das Secretarias Municipal de Obras e Viação (Smov) e do Meio Ambiente (Smam). Poderemos requisitar o auxílio da Brigada Militar, se for necessário", disse. "