segunda-feira, 13 de junho de 2011

Folha de S. Paulo: Fifa impõe parceiros às sedes do Mundial 2014

Entidade pressiona cidades a "cooperar" em suas licitações e faz lobby por seus próprios patrocinadores

FILIPE COUTINHO

FERNANDA ODILLA

DE BRASÍLIA


A Fifa pressiona as 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 a "cooperar" nas licitações dos estádios e a contratar empresas patrocinadoras da entidade.
A Folha ouviu reclamações dos representantes dos governos estaduais, sob condição de anonimato, e conseguiu cópia de documentos que confirmam o lobby.


Os papéis mostram que o departamento de marketing da Fifa e o Comitê Organizador Local (representante da entidade no país-sede do Mundial) atuaram em favor de uma fabricante de brindes, uma empresa de energia solar e uma seguradora.


As três empresas são apresentadas como líderes de mercado e parceiras oficiais da Fifa, o órgão máximo de futebol, cujos dirigentes foram recentemente alvo de denúncias de corrupção, entre elas o pagamento de propina na eleição das sedes das Copas de 2018 e 2022.


Entre os documentos obtidos pela Folha, estão um e-mail e uma apresentação de PowerPoint em que a Fifa manifesta interesse na contratação da parceira ADM para a confecção de brindes, como bonés e chaveiros.


Os documentos são assinados pelo diretor de marketing da Fifa no Brasil, Jay Neuhaus. O recado: ou a sede contrata a ADM ou paga 17% de taxa de licenciamento caso opte por outra fabricante.


As sugestões de contratação colocam as cidades-sedes diante de um impasse.
Agradar à entidade, pedindo a consórcios e empreiteiras responsáveis pelas obras que contratem as empresas ligadas à Fifa, ou, no caso de contratos pagos apenas com dinheiro público, seguir a Lei de Licitações, arcando, assim, com custos extras para atender ao padrão Fifa.


Em e-mail de abril, enviado após alerta das cidades para as restrições da legislação, Neuhaus fez um pedido.


"Esperamos ter a cooperação de vocês em adotar a ADM. Nós entendemos que as sedes, por serem entidades públicas, estão atreladas aos processos de licitação, porém esperamos encontrar uma forma de garantir que a ADM sempre faça parte deste processo", dizia o texto.


No e-mail, o diretor da Fifa elogia a equipe da ADM como "a mágica do projeto".


A Folha também teve acesso a e-mail enviado em janeiro deste ano aos coordenadores das 12 cidades-sedes e assinado por Carlos de la Corte, consultor do COL.


De la Corte pede que a chinesa Yingli seja contatada por oferecer serviços de energia "alinhados" com a Fifa. E solicita às cidades que verifiquem "as possibilidades de parceria". De la Corte diz que a Yingli tem o selo de obra sustentável, exigência da Fifa para as arenas da Copa.


O consultor do COL encaminha carta assinada pelo diretor-geral de marketing da Fifa, Thierry Weil, que diz que a entidade "considera que os produtos da Yingli Solar podem ser a melhor solução para a eficiência energética dos estádios da Copa".


Weil e De la Corte pedem sigilo sobre o fato de a empresa ser patrocinadora da Copa -a parceria só foi anunciada oficialmente na última quarta, cinco meses após o e-mail.


O diretor-geral de marketing da Fifa também assinou outro ofício anunciando a Liberty Seguros como seguradora do próximo Mundial.


O documento foi encaminhado por e-mail, por meio do COL, para 37 representantes das cidades-sedes.


Weil pede aos coordenadores que contatem o patrocinador e destaca as qualidades da Liberty Seguros.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Comitês se articulam para monitorar obras da Copa

 Patrícia Benvenuti, Brasil de Fato

Organizados nas 12 cidades-sede, comitês populares se propõem a fiscalizar gastos e denunciar impactos dos megaprojetos.

O acompanhamento das obras para a Copa do Mundo e de seus possíveis impactos na capital paulista ganhou um reforço na última semana. No dia 3 de junho, movimentos sociais e entidades da sociedade civil realizaram a primeira reunião do Comitê Popular da Copa de São Paulo.

Já formados ou em processo de estruturação nas 12 cidades-sede, os comitês populares são constituídos por diferentes organizações unidas para monitorar, em âmbito nacional, as ações do poder público na preparação das capitais que receberão o evento em 2014.

A integrante da Rede Jubileu Sul Brasileira Rosilene Wansetto explica que a ideia para a criação dos comitês surgiu em novembro do ano passado, quando foram realizados dois seminários - um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro - com a presença de organizações sociais para debater os impactos do evento no Brasil. "Ficou então definido que cada cidade formasse seu comitê", conta.

Cidades como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Fortaleza, segundo Rosilene, estão com os trabalhos mais adiantados. De acordo com ela, a meta dos comitês é examinar todos os aspectos que envolvem as supostas melhorias nas metrópoles. "O objetivo é monitorar esses impactos não só em obras específicas para a Copa, mas também em obras que fazem parte da preparação da cidade, como as redes hoteleiras que serão construídas em Itaquera [na zona leste, onde ficará o estádio do Corinthians]".

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Documento da Articulação Popular Nacional pela garantia dos Direitos Humanos, no contexto dos Megaeventos

A realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016 é a oportunidade de gerar investimentos que reduzam as desigualdades sociais, com a promoção de melhoria das condições de vida da população brasileira.

Mas o que assistimos em nome da realização destes Megaeventos Esportivos é a violação de direitos humanos e sociais. Enquanto os governos, organizações internacionais (FIFA, COI) e empresas envolvidas na promoção dos eventos anunciam os possíveis benefícios, a experiência internacional das cidades e países onde já houve a realização de megaeventos demonstrou que os impactos gerados não significaram melhorias reais nas condições de vida e na ampliação dos direitos de  toda a população, sobretudo das pessoas mais pobres e vulneráveis. 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Relatora da ONU conversa com Juca Kfouri sobre os impactos da realização da Copa do Mundo no Brasil

No fim de semana a relatora da ONU Raquel Rolnik participou do programa de entrevista do Juca Kfouri, no canal ESPN. Eles conversaram sobre os impactos da realização da Copa e das Olimpíadas no Brasil, tanto do ponto de vista urbanístico, quanto do ponto de vista dos direitos humanos, especialmente do direito à moradia, que é o tema que Rolnik vem acompanhando como Relatora Especial da ONU.

Clique no link abaixo para ver um trecho da conversa:
Relatora da ONU é convidada do Juca Entrevista

Observatório da Imprensa debate a corrupção no futebol

TV Brasil
O Observatório da Imprensa desta terça-feira (7), às 22h, vai debater os problemas relacionados à realização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

A preocupação com a infraestrutura do país tem espaço garantido nos cadernos de cidade e até no de política, mas quando se trata da construção de estádios e escândalos envolvendo dirigentes, o assunto se restringe às páginas de esporte.

Será que suspeitas de corrupção na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não deveriam receber um destaque maior da imprensa? Um escândalo mundial envolvendo a FIFA não merece uma análise política? De que forma isso pode influenciar no bom andamento do Mundial que o país realizará daqui a 3 anos?

Para falar sobre essas questões, Alberto Dines recebe no estúdio os jornalistas Walter de Mattos Jr. (Lance),  Antônio Nascimento (O Globo) e  Marcos Augusto Gonçalves. O programa ainda ouviu a opinião dos jornalistas Juca Kfouri,  Clovis Rossi e Otávio Leite; e dos correspondentes  Silio Boccanera (Londres) e  Cristiane Ramalho (Berlin).

O programa é transmitido pela TVE/RS.

Comitê de Fiscalização Orçamentária discute relatório do TCU sobre a Copa

Agência Câmara

O Comitê de Avaliação, Fiscalização e Controle da Execução Orçamentária da Comissão de Orçamento se reúne hoje para discutir o relatório “O TCU e a Copa do Mundo”, divulgado em abril.

O Tribunal de Contas da União (TCU) é responsável pela fiscalização de todas as obras para a Copa de 2014 executadas com recursos federais (portos e aeroportos) e as concessões de financiamento (operações de crédito) sob a responsabilidade da Caixa e do BNDES. Em relação às obras de competência municipal e estadual, o órgão, no âmbito da Rede de Controle da Gestão Pública, auxilia o acompanhamento por meio de análises dos projetos básicos e executivos.

Constam do documento também:

- a organização interna do tribunal para a fiscalização das obras;
- as datas previstas para conclusão das obras;
- a situação atual dos financiamentos dos estádios e das obras de mobilidade urbana;
- o resumo dos processos de fiscalização já executados; e
- as características das 12 arenas esportivas a serem construídas ou reformadas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Na cidade maravilhosa, milhões de reais para Copa e olimpíadas; para bombeiros, repressão e prisões

Bombeiros acampam no Rio em protesto contra prisões 
Em protesto contra a prisão de 439 bombeiros que ocuparam o quartel central da corporação durante protestos por melhores salários, no fim de semana, colegas e parentes dos detidos tomaram as escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio.

A vigília, que conta com barracas de camping e uma cozinha improvisada, teve início na madrugada de segunda-feira 6, quando cerca de 30 pessoas se dirigiram ao local para acampar. Eles estão em barracas de camping e numa delas improvisaram uma cozinha, onde estão sendo preparados sucos e sanduíches. A Polícia Militar acompanha o ato, com três viaturas do batalhão do centro e duas do Batalhão de Choque.

Do lado de dentro, os protestos já surtem efeito. Deputados decidiram criar uma frente parlamentar em defesa da categoria e prometem trancar a pauta se os militares não forem soltos.

A situação dos militares será discutida em uma reunião marcada para esta tarde, no gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (P-SOL). Foram convidados para participar da reunião representantes da categoria, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e da Defensoria Pública.

Do lado de fora, o movimento se intensificou pela durante a manhã. Nos pilares do palácio, uma faixa foi estendida com os dizeres: “Resistir é preciso”. Os protestos também foram expostos em faixas menores com mensagens como “Bombeiros são heróis; não são vândalos” e “Vândalo é quem prende herói”. Na véspera, um grupo de cerca de 50 bombeiros promoveu uma marcha na Ponte Rio-Niterói para protestar contra a prisão dos colegas.

Eram as primeiras reações contra as declarações do governador Sérgio Cabral (PMDB), que no dia seguinte à ocupação chamou os militares de “vândalos” e demitiu o comandante-geral do Corpo de Bombeiros no Estado, coronel Pedro Machado. Para retirar os manifestantes do pátio do quartel, o governador recorreu à tropa de choque da PM e ao Batalhão de Operações Especiais (Bope).

No dia seguinte, Cabral voltou a recriminar os atos, na tentativa de mostrar que a ocupação era promovida por uma minoria entre os 17 mil bombeiros do Estado interessada em desestabilizar seu governo.

“Esse grupo qualificou de ‘manifestação pacífica’ a invasão para a qual levou crianças junto a marretas, utilizadas em agressões. Ninguém planeja levar marretas para ‘manifestações pacíficas’. E é incomensurável a gravidade de unir armas a crianças – expondo-as a todo tipo de risco – por parte daqueles que se apresentaram como líderes da manifestação”, declarou o governador.

A ocupação do quartel geral dos Bombeiros, na noite de sexta-feira, aconteceu em meio aos protestos da categoria por aumento salarial. Eles exigem que o piso atual dos militares, de 950 reais, seja ajustado para 2 mil reais. Pedem também melhores condições de trabalho. No quartel da corporação, que teve o portão principal derrubado, dez policiais militares fazem a segurança. O portão, derrubado durante a manifestação, foi recolocado.

Na manhã desta segunda-feira, a Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou a intenção de se reunir com representantes de outras entidades para traçar os rumos das negociações com o governo do Estado.

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, os militares amotinados podem ser expulsos. Antes, devem agora responder administrativamente e criminalmente pelo ato. O processo deverá ser aberto pelo Ministério Público.
Fonte: Carta Capital

E a Copa 2014...

Enviado ao Comitê Popular pelo chargista Eugenio

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Assembleia Geral da ANPUR aprova moção contra violação de direitos humanos

Reunidos no XIV Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, no Rio de Janeiro, de 23 a 27 de maio de 2011, professores, pesquisadores, profissionais e estudantes que se consagram ao ensino e pesquisa em planejamento e no campo dos estudos urbanos e regionais, vêm manifestar às autoridades governamentais – federal, estaduais e municipais – sua enorme preocupação com políticas, planos e projetos que, a pretexto da realização da Copa do Mundo 2014 e das 
Olimpíadas 2016, vêm violando abertamente direitos humanos consagrados pela constituição e pela legislação urbana, em primeiro lugar o direito à moradia.

Evocando tempos sombrios da ditadura militar, as remoções violentas de comunidades populares e a periferização forçada das camadas mais pobres voltam à agenda urbana. Leis e normas de exceção, renúncias fiscais e isenções urbanísticas promovem a aparência de legalidade que pretende legitimar a política de limpeza étnica e social que aprofunda, e mesmo celebra, a segregação social em nossas cidades. Bilhões de reais são consagrados à construção de equipamentos esportivos que se transformarão em elefantes brancos, monumentos à irresponsabilidade social e à corrupção. Enquanto isso, mais de 40% de nossa população urbana não têm acesso a saneamento básico, a educação pública se degrada, o atendimento à saúde se deteriora, serviços públicos essenciais carecem de recursos mínimos.

Neste momento grave para nossas grandes cidades, em particular aquelas que sediarão a Copa e as Olimpíadas, quando as autoridades declaram seu compromisso com o legado social dos megaeventos esportivos, instamos estas autoridades a abrirem um amplo e democrático debate sobre a utilização dos recursos públicos e a suspenderem as remoções de bairros e comunidades populares.

Rio de Janeiro, 27 de maio de 2011