quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Campanha: "Seja patrocinador da democracia, e não da Copa ou das Olimpíadas!". Quantas empresas vão participar?


Itaú e AMBEV querem
"garantias" do governo
de que não perderão
dinheiro com os protestos
durante a Copa de 2014.

 Texto de Carlos Vainer*

O fato de que temendo protestos na Copa de 2014, patrocinadores já apelam à presidente Dilma para intervenha a fim de evitar que os protestos atrapalhem o evento, é realmente um acontecimento revelador das relações entre capitalistas privados e estado no Brasil contemporâneo
(veja AQUI a matéria da ESPN sobre o assunto).

Em primeiro lugar, porque revela o surgimento de uma nova categoria sócioeconômica, ou, como está em moda, uma nova identidade: “empresa patrocinadora da Copa”. As empresas dessa nova categoria não se definem pelo ramo em que atuam, nem pelo fato de serem nacionais ou estrangeiras, de capital aberto ou fechado. Não, sua     identidade é a de serem patrocinadoras da Copa.

Elas estão preocupadas. E pedem “garantias de que o governo tentará coibir os protestos e manifestações durante a Copa e pediram um plano de ação neste sentido. O plano será desenvolvido em reuniões mensais até o início do Mundial, envolvendo outros patrocinadores”.

Aposto que se fizerem uma pesquisa de opinião entre estes capitalistas, todos eles se manifestarão pelo livre mercado, pela redução da intervenção do Estado na economia, pela privatização das empresas públicas. Afinal, são neoliberais, que acreditam que o livre jogo das forças de mercado constitui a melhor, diria mesmo a única forma de alocar os recursos da sociedade de modo a obter o máximo de produto interno bruto e de felicidade humana líquida. Mas, apesar dessa crença, querem garantias estatais... de que não vão ter prejuízos. Ora, se queriam se precaver, deveriam ter feito seguro, pois esta é a forma capitalista, de mercado, por meio da qual capitalistas sérios, que amam as forças de mercado e repudiam o Estado, se precavêm de riscos. Mas nossas empresas patrocinadoras da Copa conhecem uma maneira mais barata de proteger seus lucros: pedir que o Estado assegure que não perderão dinheiro.

Dos representantes das empresas, a presidenta Dilma ouviu um discurso preocupado. A Ambev e o Itaú afirmaram que fazem uma aposta de altos valores na Copa do Mundo e pediram garantias de que não teriam prejuízos por causa de eventuais manifestações. A presidenta prometeu fazer "tudo o que for preciso" para que não haja protestos.

Em segundo lugar, o evento revela a intimidade e familiaridade com que grupos capitalistas privados são recebidos pela presidente. Enquanto foram necessárias várias centenas de manifestações de muitos milhões de pessoas para que a presidente afirmasse que era necessário ouvir a “voz das ruas”, representantes do grande capital circulam quotidianamente pelos palácios oficiais, apresentando suas reivindicações, fazendo suas exigências e reforçando sua presença nos processos decisórios, numa permanente atualização do que tenho chamado de "democracia direta do capital".

Em terceiro lugar, fica a dúvida: o que fará a presidente para atender aos reclamos dos “patrocinadores da Copa”? Em que pensa a presidente quando afirma que fará "'tudo o que for preciso' para que não haja protestos”?

Não custa lembrar o que disse em seu discurso de 21 de junho (auge dos protestos no Brasil), importante, porém já esquecido, inclusive, ao que parece, pela própria presidente.

Ela disse:
“É a cidadania e não o poder econômico que deve ser ouvido em primeiro lugar”.

Ela disse:
“Os que foram ontem às ruas deram uma mensagem direta ao conjunto da sociedade e, sobretudo, aos governantes de todas as instâncias. Essa mensagem direta das ruas é por mais cidadania, por melhores escolas, por melhores hospitais, postos de saúde, pelo direito à participação. Essa mensagem direta das ruas mostra a exigência de transporte de qualidade e a preço justo. Essa mensagem direta das ruas é pelo direito de influir nas decisões de todos os governos, do legislativo e do judiciário”

Ela disse:
“as pautas dos manifestantes ganharam prioridade nacional” e que “temos que aproveitar o vigor dessas manifestações para produzir mais mudanças, mudanças que beneficiem o conjunto da população braisleira”.  

No momento em que as forças reacionárias desensarrilham suas armas e as apontam para o coração da democracia, que é o direito de livre manifestação, soa grave uma presidente afirmar que “fará tudo o que for preciso” para que não haja protestos.

Mas se ela quisesse mesmo evitar protestos, poderia começar cumprindo o que anunciou em 21 de junho, isto é, ouvir a cidadania e não o poder econômico, em primeiro lugar. A menos que a cidadania a que ela se referisse fosse essa categoria especial de cidadãos que representam os interesses do capital, ou, mais ainda, os interesses dos capitais que patrocinam a Copa.

As tentativas de intimidar, constranger  e reprimir protestos aparecem por toda parte. Em novas medidas legais, verdadeiras leis de exceção, como a tentativa de aprovar projeto de lei que cria o crime de terrorismo. Ou ainda, no famigerado decreto do governador do Rio de Janeiro, agora revogado, que pretendia, contra a lei, obrigar as empresas de telefonia a violar a privacidade de seus clientes sem ordem judicial. Ou na absurda pretensão de proibir o porte de máscaras em via pública. Ou na brutalidade com que as polícias militares, por todo o país, lançam-se à repressão de manifestações públicas.

Não estamos mais falando apenas de Copa ou Olimpíadas. Não estamos mais falando de direito à informação, à moradia, ao trabalho. Estamos falando de direito ao exercício das prerrogativas básicas da democracia: o direito de manifestar, o direito à livre expressão de ideias.

Tão ou mais estarrecedor que os ataques hoje desferidos contra este direito essencial é o silêncio de muitos dos que lutaram contra a Ditadura justamente para conquistarmos esse direito. Surpreende o silêncio de alguns filósofos e filósofas que, com sua inteligência e brilho, inspiraram e animaram muitas de nossas lutas nos anos 1980. Surpreende o silêncio de entidades importantes como a OAB, ABI, CNBB, que se engrandeceram nas lutas democráticas. Surpreende, até mesmo, o silêncio de militantes e políticos que, hoje no poder, deram os anos de sua juventude para que conquistássemos a democracia que os partidos em que militam hoje parecem pretender sufocar... para garantir os lucros das “empresas patrocinadoras da Copa” e outras mais?

É possível que alguns ainda não se tenham dado conta de que estamos vendo nascer o ovo da serpente. Mas é também provável que muitos deles estejam, hoje, acomodados, convencidos, como é tradição dos democratas brasileiros, de que não é a extrema direita, mas as forças populares e as manifestações de luta que ameaçam a democracia. Assim, Marilena Chauí retoma a ladainha que, desde sempre, foi a dos democratas burgueses, que têm mais medo do povo nas ruas que amor à democracia. É sempre assim: quando o povo se mobiliza, coloca em risco a democracia. Em outras palavras, a democracia e o direito de manifestação são fundamentais e devem estar assegurados... desde que o povo não os exerçam. Aliás, não foi para proteger a democracia dos avanços das lutas populares que os democratas fardados deram o golpe há 50 anos atrás?

Afinal, a democracia que pretendem é para ser exercida apenas pelos “homens bons”, como se dizia na era colonial. Uma democracia para ser exercida apenas pelos bem comportados, pelos que se acomodam à dominação, pelos que se submetem... e, claro, sobretudo pelos detentores do poder econômico, político e social. Uma democracia para ficar na “cristaleira” e somente ser utilizada nos banquetes de luxo aos quais os pobres não são convidados. Acontece que os “barrados no baile” querem democracia para eles também. E como são barrados nos banquetes e reuniões nos palácios, fazem sua democracia nas ruas, construindo novos e promissores espaços públicos. É essa democracia que ameaça os lucros dos “patrocinadores da Copa”. E por isso eles vão pedir, neoliberais convictos, a intervenção do Estado.

Está na hora de começarmos a constituir uma lista, bem mais ampla, de “patrocinadores da democracia”, que não pretendem preservar seus lucros, mas os princípios básicos do estado de direito democrático e republicano. Que tal uma campanha: "Seja patrocinador da democracia, e não da Copa ou das Olimpíadas".

Quantas empresas vão participar? Quantos prefeitos? Quantos governadores? Quantos partidos políticos? Quantos filósofos e intelectuais preocupados com os rumos do processo político?

* Carlos Vainer é professor titular do IPPUR/UFRJ (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

1 Ano da Batalha do Tatu: Defesa Pública da Alegria volta à Praça Montevidéu e relembra queda do mascote da Copa

Do Portal Sul 21


 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Manifestantes recordaram ato de outubro de 2012 nesta quinta-feira (10) | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Samir Oliveira, Iuri Müller e Ramiro Furquim
Pouco mais de um ano depois do ato que marcou a origem do coletivo Defesa Pública da Alegria, dezenas de pessoas voltaram a se reunir entre o Largo Glênio Peres e a Praça Montevidéu, em Porto Alegre para questionar a privatização dos espaços públicos e as consequências da realização da Copa do Mundo. Diferentemente de outubro de 2012, quando muitos manifestantes acabaram agredidos pela Brigada Militar, a mobilização desta quinta-feira (10) se estendeu até o início da madrugada sem incidentes.
O Defesa Pública da Alegria foi criado a partir de movimentações já existentes, como o Largo Vivo, ocasião em que o Largo Glênio Peres era ocupado por intervenções culturais e espaços para discussão. No entanto, desde o primeiro ato buscou denunciar a política municipal no que diz respeito às remoções na Zona Sul de Porto Alegre, a entrega de áreas públicas da cidade à iniciativa privada e o cercamento de lugares como o auditório Araujo Viana, no Parque da Redenção.
 | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Protesto há um ano resultou na criação do movimento Defesa Pública da Alegria | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Naquele dia 4 de outubro, o ato teve um desfecho inesperado quando, por volta das 23h30min, a Brigada Militar reprimiu manifestantes que se aproximaram do mascote da Copa do Mundo, um tatu-bola inflável. Em meio ao enfrentamento, que resultou em perseguições pelas ruas do Centro e vários feridos, o boneco foi desinflado. O relatório da Ouvidoria da Secretaria Estadual de Segurança Pública apontou que naquela noite a violência foi iniciada pela Brigada Militar e pela Guarda Municipal.
Após a batalha campal, que anteciparia os confrontos que seriam vistos nas manifestações de junho de 2013, outras duas manifestações foram realizadas em outubro de 2012 para questionar a violência policial. Desde então, o coletivo esteve presente em outros fatos políticos da cidade, como nos protestos contrários ao corte de árvores nas cercanias da Usina do Gasômetro. Nesta quinta-feira (10), cerca de duzentas pessoas participaram do evento.
Com faixas e cartazes, defenderam a desmilitarização das polícias brasileiras e gritaram que “não vai ter Copa” em 2014. Um ano depois, o Defesa Pública da Alegria outra vez reuniu músicos locais e buscou debater a conjuntura política da cidade. Caleb Faria Alves, professor do departamento de Antropologia da UFRGS, abriu a roda de discussão com um depoimento sobre a efervescência política que resultou de um contexto de decepção com as vias institucionais. Os manifestantes permaneceram na rua até o início da madrugada desta sexta-feira.

Para ler o restante da matéria, clique no "Mais Informações"

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Após recusar atores negros, Fifa é acusada de racismo

Do Correio Nagô

Uma decisão do Comitê Organizador Local (COL), que cuida dos preparativos para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, causou polêmica. Após os nomes dos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga vetados para apresentar o evento de sorteio dos grupos da competição, internautas estão acusando a Fifa de racismo.

De acordo com um dos jornalistas da revista “Veja”, o COL negou as acusações e justificou a recusa alegando que tratava-se de um evento esportivo, não de uma novela global.

A entidade alega que a escolha por outros nomes não tem nenhuma ligação com questão racial e informou que prefere "um nome mundial mais forte", já que o sorteio dos grupos serão transmitidos para todo o mundo.

O fato, no entanto, gerou indignação nos internautas não apenas pela recusa dos dois atores globais, que são negros, mas pelo fato de a própria Fifa ter escolhido a apresentadora Glenda Kozlowski, também funcionária da Rede Globo, para apresentar o sorteio da Copa das Confederações, em 2012.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Um dia de "caça às bruxas" em Porto Alegre. #ImaginanaCopa!

O que aconteceu hoje em Porto Alegre (RS) foi algo que qualquer pessoa acharia que não aconteceria em 2013, pleno século 21 e em um estado e em um país que se autoproclamam democráticos. Foi uma uma verdadeira "caça às bruxas", que fez lembrar ao que acontecia aos militantes, partidos e organizações sociais que se opunham à Ditadura Militar.

A Polícia Civil gaúcha, que está sob comando do governo Tarso Genro, invadiu a sede do Moinho Negro (organização cultural) e o Assentamento Urbano Utopia e Luta. Também invadiu casas de militantes do PSOL e do PSTU, individualmente. Relatos de militantes, durante o dia, dizem que policiais rondaram a Via Campesina e o alojamento do MST, em Porto Alegre. 

Tod@s, pessoas e organizações que compõem o Bloco de Luta pelo Transporte Público, que tem organizado os protestos pelo passe livre e transporte 100% público.

Matéria do Portal Sul 21 conta um pouco o caso: Polícia Civil faz buscas para investigar militantes do Bloco de Lutas em Porto Alegre

Repudiamos veemente essa ação, que é uma clara demonstração de repressão e criminalização dos movimentos e organizações sociais, dos que lutam por melhores condições de vida, por transporte público e de qualidade, por moradia digna, por saúde e educação pública e de qualidades. As constantes repressões da polícia nas manifestações, seja em âmbito municipal ou estadual, vêm crescendo e também são acompanhadas da perseguição politica e amedrontação das pessoas que se organizam e vão contra a maré.

Isso também é repressão e violência! O que as comunidades da periferia sofrem diariamente e historicamente; o que as comunidades atingidas pela Copa em Porto Alegre também sofrem.


Mas não desistiremos! E iremos nos preparar pois, à medida que nos aproximamos da Copa do Mundo, a repressão tenderá a ficar mais forte, infelizmente. Afinal, nossa luta é legítima!

Clique no link "Mais Informações" para ver as notas de repúdio das organizações:


Nesta quinta (10/10), às 17h, em frente à prefeitura: ato da Defesa Pública da Alegria - O Tatu não morreu em vão!


Há um ano o vergonhoso Tatu-Cola, símbolo das tenebrosas transações em que se entrega a preço de banana o patrimônio da cidade, era arrancado do coração de Porto Alegre, onde nunca deveria ter estado. Naquele 4 de outubro choveram cacetetes e balas sobre o povo, quando a Brigada Militar e a Guarda Municipal assumiram sem pudor o papel de guarda-costas de boneco inflável, em uma noite de repressão que está marcada nas mentes e nas cicatrizes de muita gente.

Um ano inteiro passou e as máscaras do poder despencaram. O falso consenso da força se quebrou, respiramos litros de gás lacrimogênio, caminhamos quilômetros em marcha, pensamos na vida como ela é e em como ela poderia ser, propusemos e vivemos mudanças, ocupamos espaços perdidos da cidade, combatemos com alma.

O poder ignorou e reprimiu, dizimou árvores e comunidades, repetiu mentiras até que elas quase virassem verdades. Se não viraram é por que a gurizada soube levantar bravamente a sua voz, a nossa voz, a voz de uma cidade onde o povo manda e o governo obedece, a voz da cidade que estamos construindo.

Já sabemos bem quem somos, já sabemos perfeitamente onde estamos. É hora de recuperarmos os espaços privatizados da cidade. Senão agora, quando? Senão nós, quem?


Te esperamos na frente da prefeitura!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Em Salvador (BA), Comitês Populares da Copa traçam próximas lutas

Lideranças da comunidade de Saramandaia, em Salvador.
A comunidade, com 36 mil pessoas, ameaçada de remoção
pela "Linha Viva", projeto da prefeitura de ACM Neto.
Três mil famílias estão na mira dessa rodovia,
de mais de 80km. Foto: Claudia Favaro
Aconteceu, entre os dias 20 e 23 de Setembro, mais uma reunião da ANCOP (Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa) em Salvador (Bahia). Estiveram presentes dois representantes dos 11 comitês populares da Copa.

Os trabalhos iniciaram com um seminário sobre mulheres e a Copa do Mundo, realizado pelo Comitê Popular da Copa de Salvador e a Odara - organização baiana voltada aos direitos humanos, especialmente a problemáticas das mulheres negras. A atividade contou com diversas lideranças comunitárias de Salvador, e fez análises produtivas sobre os impactos da Copa do Mundo FIFA na vida das mulheres e LGBTs ( lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).

A reunião também fez uma avaliação das ações da jornada de lutas de Junho - Copa pra Quem?, que junto com o tema da mobilidade urbana e do passe livre levaram milhões às ruas durante a Copa das Confederações. Em todas as capitais que receberam os jogos houve mobilização; em boa parte delas, a polícia e os governos reprimiram com violência.

Foi consenso, entre os comitês populares da Copa, de que não podemos ser a favor de uma Copa que viola direitos. Não há mais dificuldade de ter uma posição como essa no "país do futebol". Nas mobilizações de rua de Junho, eram comuns os gritos de "FODA-SE A COPA" e "NÃO VAI TER COPA", além dos pedidos para que investimentos da Copa fossem revertidos para a saúde e a educação.

No próximo período, a ANCOP, juntamente com os 12 comitês populares, farão uma campanha importante contra a FIFA e suas corporações, a fim de mostrar os impactos sociais e econômicos do evento e desmascarar a rede de favorecimentos e de lucratividade de empresas, empresários e até mesmo de alguns governos com a Copa. Fique atento!

No encontro, foi realizado ainda um debate bem contundente sobre o papel do GT Moradia, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O GT visitou as cidades-sedes há quase um ano e sequer um relatório foi publicado - além de imenso desrespeito às famílias atingidas, que não viram nenhuma ação por parte do governo federal para, pelo menos, reduzir os impactos das obras da Copa.

A ANCOP se retira do GT e repudia a morosidade dos espaços de participação, que hoje estão institucionalizados nas esferas de governo e que não dão aos cidadãos brasileiros resposta aos seus anseios, nas suas atividades mais básicas.

Em Março de 2014 acontecerá, em Fortaleza (Ceará), um Encontro dos Povos Atingidos pela Copa do Mundo e suas obras. O objetivo é avaliar as atividades que acontecerem até lá e programar os próximos passos.


Com informações de Claudia Favaro, Fernando Campos Costa e Adriane Lacerda Carvalho, integrantes da ANCOP e representantes do Comitê Popular da Copa Porto Alegre no encontro

Fiscais flagram trabalho escravo em obra da OAS no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP)

| Foto: Stefano Wrobleski
Ao todo, 111 migrantes nordestinos foram escravizados. Contratados para trabalhar na ampliação do aeroporto mais movimentado da América Latina, eles passavam fome | Foto: Stefano Wrobleski
Por Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil
Quando o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, começou a ser construído em 1980, a população do distrito de Cumbica, onde ele fica, cresceu vertiginosamente. Os novos habitantes, em sua maioria do Nordeste do Brasil, ali se estabeleceram para trabalhar pelos cinco anos seguintes nas obras do aeroporto. Mais de trinta anos depois, os bairros do distrito agora abrigam grande parte dos 4,5 mil funcionários da OAS, uma das maiores construtoras do país e a responsável pelas obras de ampliação do aeroporto mais movimentado da América Latina. Segundo fiscalização conduzida por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), são empregados dela também 111 homens resgatados de condições análogas às de escravos.
Aliciadas em quatro Estados do Nordeste – Maranhão, Sergipe, Bahia e Pernambuco –, as vítimas aguardavam ser chamadas para trabalhar alojadas em onze casas de Cumbica que estavam em condições degradantes. Além do aliciamento e da situação das moradias, também pesou para a caracterização de trabalho escravo o tráfico de pessoas e a servidão por dívida.
A primeira denúncia foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil em Guarulhos ao MTE, que resgatou os primeiros trabalhadores no último dia 6 de setembro. Na ocasião, a fiscalização visitou três casas com um total de 77 pessoas que chegaram de Petrolândia, interior de Pernambuco, nos dias 13 de agosto e 1º de setembro. Cada uma havia pago entre R$ 300 e R$ 400 ao aliciador (“gato”) pela viagem e aluguel da casa, além de uma “taxa” de R$ 100 que seria destinada a um funcionário da OAS para “agilizar” a contratação. Eles iriam trabalhar como carpinteiros, pedreiros e armadores nas obras de ampliação do aeroporto de Guarulhos, que prometem aumentar a capacidade dele de 32 para 44 milhões de passageiros por ano até a Copa do Mundo de 2014.

Parte de "calçada" do Beira-Rio será custeada com dinheiro público para a Copa

Do ZeroHora.Com

Verba federal de R$ 7,8 milhões vai custear maior parte do piso no entorno do Estádio Beira-Rio

Cerca de dois terços da área, que ficaram fora do contrato entre Inter e Andrade Gutierrez e pertencem à prefeitura, receberá recurso da União

Verba federal de R$ 7,8 milhões vai custear maior parte do piso no entorno do Beira-Rio Bruno Alencastro/Agencia RBS
Parte do piso do entorno do estádio, que pertence à prefeitura, será custeado por verba federalFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS
Pedro Moreira/ ZeroHora.Com
Um dos pontos ainda em aberto para a conclusão da reforma do Beira-Rio para a Copa do Mundo começou, enfim, a ser solucionado. O impasse envolvendo a responsabilidade pela construção do piso no entorno do estádio foi parcialmente resolvido na segunda-feira, após a prefeitura garantir uma verba federal de aproximadamente R$ 7,8 milhões para pavimentar cerca de dois terços da área. A obra não está prevista no contrato entre o Inter e a construtora Andrade Gutierrez.

Conforme o procurador-geral adjunto de Porto Alegre, Marcelo do Canto, o trecho contemplado envolve o antigo estacionamento da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), ao lado do Gigantinho, e outras áreas que são da prefeitura e estão emprestadas ao clube. O espaço do estacionamento receberá a estrutura de TV durante o Mundial.
O Ministério do Esporte deve empenhar o valor para o município em até 72 horas. Como o projeto executivo para a obra já está praticamente pronto e já foram realizadas cotações de preço, a licitação deve ser lançada em breve.


— Todo o pavimento desta parte está resolvido — resume Marcelo do Canto.

O restante do terreno (um terço) ainda terá de ter uma solução negociada. Como trata-se de parte da área privada do clube, os órgãos públicos vêm encontrando dificuldade de aplicar verba.


— Vamos tentar uma alternativa para isso, mas ainda não tem a solução. Como é uma área do Inter, estamos tentando uma alternativa, se o Inter ou a Andrade Gutierrez ou algum outro aporte — afirma o procurador.