segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Copa das Confederações não eleva gasto de estrangeiros no Brasil

Visto como grande legado dos megaeventos, o turismo durante a Copa das Confederações não trouxe aumento de receitas para o país:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/07/copa-das-confederacoes-nao-eleva-gasto-de-estrangeiros-no-brasil.html

Nota Pública do Comitê Popular da Copa RJ: Por um Maracanã Público e Popular


Nota Pública: Por um Maracanã Público e Popular


A vitória final ainda está por vir: por um Maracanã Público e Popular


O momento é de comemoração. Após mais de dois anos de luta contra o custo das reformas, a elitização, a privatização, as ilegalidades do processo e as demolições previstas para o Complexo do Maracanã, as vitórias começam a aparecer.

A permanência do Parque Aquático Julio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e da Escola Friedenreich, bem como a retomada da Aldeia Maracanã por indígenas que defendem aquele espaço desde 2006 são resultados do esforço e da valentia de muitas pessoas e grupos que foram às ruas e lutaram por direitos e por uma cidade mais justa. Estamos todos em comemoração!

Mas é preciso lembrar: temos que seguir atentos e fortes. O momento é ainda de muita luta. A reação do consorcio Maracanã S/A, que soltou nota afirmando que “permanece à frente da concessão do Maracanã e que vai encontrar uma alternativa à sua viabilização e continuidade”, é uma afronta ao sentimento de todos os brasileiros que questionam o absurdo contrato de privatização.

O Maracanã, que nunca deixou de ser um símbolo nacional em função do futebol e da participação popular, nos últimos tempos serviu como modelo máximo de uma política excludente, sem transparência e corrupta. As seguidas reformas, que consumiram quase dois bilhões de reais, e sua venda por migalhas (o consórcio pagaria R$ 5,5 milhões por ano ao governo para lucrar por 35 anos com o estádio) não passaram despercebidos, como talvez imaginassem o governador Sérgio Cabral e o secretário da Casa Civil Régis Fichtner.

Também não passaram despercebidas as ilegalidades do processo de privatização, que é questionado na Justiça. Os casos se acumulam: o favorecimento à empresa IMX, de Eike Batista, que preparou o edital de concessão no qual ela mesmo concorreu e ganhou; a farsa da “audiência pública” em novembro de 2012; e o valor pago, que não recupera nem 15% do que foi investido em reformas. A população está atenta e cobra um Complexo do Maracanã público e popular.

Não podemos entender as últimas notícias como a devolução definitiva do Complexo do Maracanã para o povo. O governo do estado foi forçado pelas ruas a abrir mão das demolições, mas ainda se esquiva da anulação da privatização. E, naturalmente, os empresários que se pensam donos de todo aquele espaço vão seguir uma administração que tem somente a perspectiva de fazer altos lucros.

É fundamental a manutenção do pleno uso público do Complexo do Maracanã. Não basta a não-demolição do Julio Delamare e do Célio de Barros, queremos um parque aquático e um estádio de atletismo que sirvam exclusivamente ao esporte, à saúde, ao bem-estar e à educação da população, com o fortalecimento de projetos sociais que atendam a pessoas de todas as faixas etárias. Não podemos deixar que o governo e os empresários tenham a audácia de querer transformá-los em clubes exclusivos e pagos.

Não basta a não-demolição da Friedenreich: a prefeitura deve manter os altos padrões de ensino ali realizados pelos professores e gestores e ouvir as demandas de todo o corpo de funcionários e dos pais de alunos que bravamente defenderam a escola. O mesmo serve para a Aldeia Maracanã, onde as decisões e soluções para o espaço devem ser feitas atendendo aos grupos indígenas que ali formaram uma das histórias mais valentes de resistência e convivência cultural que a cidade já viu.

Não basta, ainda, um ginásio do Maracanãzinho que seja transformado em uma casa de espetáculos de luxo. Sua função é fundamentalmente esportiva, com o treinamento de atletas de alto rendimento e de projetos sociais de inclusão através do esporte, servindo também a eventos de caráter público.

Exigimos a assimilação do Complexo do Maracanã como uma das principais áreas públicas da cidade. Exigimos que o governo entenda que este é um espaço que deve servir prioritariamente ao esporte, à saúde, à cultura, à educação, ao lazer e ao bem-estar do povo carioca. Exigimos que o complexo seja compreendido de forma integrada com os equipamentos públicos e privados do entorno, como a UERJ, a Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional, as quadras das escolas de samba, o estádio de São Januário, a Feira de São Cristóvão e o Parque Glaziou, cuja instalação ao lado do Maracanã deve ser retomada pelo governo.

Exigimos, por fim, que o histórico Estádio Mario Filho, após ser descaracterizado de forma criminosa, possa receber novamente todo torcedor brasileiro, independente de poder aquisitivo ou classe social. A magia do estádio do Maracanã, legado de inúmeras gerações que pisaram naquele lugar, só poderá ser resgatada se ele for novamente entregue à população, com a reativação de amplos setores populares que devem ter preços acessíveis fixados de acordo com o salário mínimo, além de cadeiras removíveis, como forma de ampliar a capacidade do estádio e permitir as manifestações festivas e as coreografias que sempre caracterizaram os jogos no Maracanã.

A não assimilação destas demandas populares é a sinalização de que a mobilização pelo Maracanã deve continuar com força máxima. A rua é nosso lugar e de lá não sairemos até a vitória completa. Governo do estado, Odebrecht, IMX e AEG devem ter consciência disso.

Pela anulação imediata da privatização do Maracanã!
Por um Maraca Público e Popular!
O MARACA É NOSSO!!

Rio de Janeiro, 7 de agosto de 2013.

Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro

RJ: Vila Autódromo Vive!


NOTA PÚBLICA

VILA AUTÓDROMO CONQUISTA SUA PERMANÊNCIA!

Após anos de resistência e luta, a Vila Autódromo conquistou o compromisso do prefeito: a Vila Autódromo e seus moradores não serão removidos.

A Associação de Moradores da Vila Autódromo se reuniu com o Prefeito Eduardo Paes nesta sexta-feira, 09 de agosto de 2013. A reunião contou com a presença dos secretários municipais de meio ambiente e habitação, do Subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, de representante da Empresa Olímpica Municipal e da Procuradoria Geral do Município. À convite da comunidade, participaram a Defensoria Pública do Estado, as duas universidades federais (IPPUR/UFRJ e NEPHU/UFF) que assessoraram os moradores na elaboração do Plano Popular e a Pastoral das Favelas.

O prefeito reconheceu que houve equívocos no tratamento à comunidade e afirmou que está disposto a abrir uma rodada de negociações baseada na permanência da Vila Autódromo e sua urbanização. Os eventuais casos de reassentamento poderão ser feitos na própria área, caso o morador assim o deseje. O prefeito apresentou também como opções para os casos de reassentamento o apartamento no Parque Carioca ou indenização a preço de mercado.

Para dar continuidade ao processo, foi constituído grupo para a negociação que contará com técnicos da prefeitura, representantes dos moradores e sua assessoria técnica. As decisões serão também submetidas a assembleias dos moradores. A comunidade afirmou que a base para o projeto de urbanização e regularização deverá ser o Plano Popular.  A Vila Autódromo continua na luta pelo direito à moradia, junto com outras comunidades ameaçadas de remoção.

Viva a Vila Autódromo! A Vila Autódromo Vive!
Associação de Moradores, Pescadores e Amigos da Vila Autódromo

Pesquisa mostra que brasileiro fica descrente com Copa

Por Erich Beting

Os protestos que eclodiram pelo Brasil às vésperas do início da Copa das Confederações, em junho passado, tiveram um impacto direto na imagem do torneio e da Copa do Mundo na mente do brasileiro. A conclusão, que se antes era perceptível pelas conversas no dia a dia, agora está em números.

Na próxima semana a empresa de informação e pesquisa Nielsen vai divulgar um relatório sobre a relação dos consumidores com a Copa das Confederações e os patrocinadores do evento. O blog obteve em primeira mão alguns dos resultados desse levantamento. 
Os resultados são alarmantes para as empresas que pretendem trabalhar sua comunicação para o Mundial de 2014.

A pesquisa foi rodada em julho, após o término do torneio e com o Brasil campeão, nas seis cidades-sedes da Copa das Confederações (Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador) e também na cidade de São Paulo, a maior do país. Ao todo foram ouvidas 1.420 pessoas, que falaram sobre o apoio ao evento e às marcas, os hábitos durante a realização dos jogos e o que se lembravam das ações das empresas ligadas ao torneio.


De acordo com a Nielsen, a batata da Fifa assou. E, mais ainda, dos seus patrocinadores.

Na comparação com setembro de 2012, quando a mesma pesquisa foi feita, o brasileiro ficou muito mais desinteressado em relação ao evento e, pior, mais insatisfeito.


Em 2012, 71% das pessoas apoiavam a realização da Copa das Confederações. Após o torneio, o índice caiu para 45%. Pior ainda foi a sensação da relação custo-benefício em organizar a competição. Sendo o “Padrão Fifa” uma das bandeiras levantadas durante os protestos, naturalmente o brasileiro sentiu que o custo de realizar o evento seria muito alto. Se, em setembro do ano passado apenas 33% da população achava que a relação custo-benefício seria ruim, a percepção depois que a competição passou foi ainda pior.
 Para 61% dos entrevistados, o dinheiro empregado para fazer o torneio não valeu a pena.

A queda mais acentuada no otimismo do brasileiro em relação à Copa do Mundo, porém, se deu naquilo que é o mais atraente para o mercado ao se associar a competição: o engajamento do torcedor com as marcas patrocinadoras. Para o consumidor, esse foi o item que mais mudança aconteceu.

Em setembro de 2012, 67% dos entrevistados diziam que apoiavam as marcas patrocinadoras da Fifa. Em julho de 2013, já sob efeito dos protestos, o índice caiu para alarmantes 32%. Sim, é isso mesmo! Se, antes de o primeiro evento-teste da Fifa ser realizado,  dois terços da população estavam ao lado das marcas patrocinadoras, agora o índice caiu pela metade.


Pior ainda é a associação direta – e negativa – que as pessoas começam a fazer entre a marca e o evento. Em 2012, apenas 3% dos entrevistados achavam que era ruim uma empresa apoiar a Copa. Em julho último, este índice saltou para 22%. Isso traz outro impacto direto que foi medido pela Nielsen. Diminuiu também a vontade de comprar produtos dos patrocinadores oficiais da competição. Em 2012 o índice era de 58% e, agora, é de 31%.


A ida do brasileiro às ruas deixou diversos pontos de interrogação na cabeça de todos. Está claro que temos diversas reivindicações a serem feitas, cada qual com seu sentimento isolado. Se, antes de a Copa das Confederações começar, o alvo foi o aumento nas tarifas de transporte público, agora já são diversos e distintos motivos que levam o brasileiro a reclamar.


O grande ponto que se coloca é o que vai acontecer dentro de um cenário de Copa do Mundo, em que geralmente a cobertura da mídia é muito maior e o estardalhaço feito contra os gastos ligados à competição também.


Nesse último mês desde o término da Copa das Confederações, as marcas começaram a trabalhar o planejamento para 2014. O grande ponto de interrogação é saber qual será o comportamento do brasileiro em relação à Copa, à Fifa, etc. Pela pesquisa da Nielsen já dá para saber que há um problema pela frente, que é fazer o torcedor querer a marca mesmo com toda a situação que se apresenta no país.


Nesse sentido, a própria realização da Copa das Confederações como um evento-teste ajudou. Se, antes de o torneio começar, a preocupação era com o time brasileiro, e não com o país, agora os papéis se inverteram. Ficou claro que, dentro de campo, o torcedor comprou a seleção. A chave é trabalhar isso daqui até 12 de junho de 2014.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Portal Sul 21: Boa parte da Porto Alegre de 2014 só aparecerá depois da Copa do Mundo

Por Ramiro Furquim/Sul21
A maioria das obras da Copa do Mundo na cidade só ficará pronta após o término da competição; Prefeitura busca assegurar recursos para não perder melhorias | Por Ramiro Furquim/Sul21
Iuri Müller
Previstas, em um primeiro momento, para serem finalizadas até junho do próximo ano, boa parte das obras para a Copa do Mundo de 2014 só ficará pronta após a realização do Mundial. Com dificuldades na realização de diversas transformações urbanas, a Prefeitura de Porto Alegre passou a buscar outra forma de garantia: a da manutenção dos recursos do governo federal para que as obras possam ser inauguradas mesmo após a competição.
No dia 12 de junho, exatamente um ano antes do início da competição, a Prefeitura de Porto Alegre realizou um tour para apresentar o andamento das modificações na cidade para a imprensa. À frente, esteve o prefeito José Fortunati (PDT), que se mostrou confiante com a adequação de grande parte das obras para a primeira quinzena de junho do próximo ano. Como ressalva, já havia sinalizado o atraso na construção das moradias para as famílias removidas da Vila Cruzeiro, que não começaram a ser erguidas mesmo 50 dias após a visita.
Em entrevista ao Sul21, o secretário de Gestão da Prefeitura de Porto Alegre, Urbano Schmitt, comentou sobre a situação de distintas obras – como a criação do sistema dos ônibus BRT’s (Bus Rapid Transit), o atual estágio das remoções e da duplicação da Avenida Tronco e as alterações nos acessos ao Estádio Beira-Rio, sede da Copa do Mundo. Além disso, Porto Alegre deve receber modificações em vias do Centro da cidade, que buscam conter antigos transtornos no tráfego de veículos.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
O sistema de ônibus BRT só deve operar após a Copa do Mundo; atrasos também ocorrem na Avenida Tronco e Plínio Brasil Milano | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Porto Alegre busca recursos do PAC Mobilidade Urbana para garantir obras na cidade mesmo após o início da Copa
Com o atraso nas obras da Avenida Tronco, dos BRT’s e do viaduto da Avenida Plínio Brasil Milano, entre outras, a Prefeitura buscou readequar a forma de financiamento com o governo federal. “O governo federal propiciou os financiamentos, permitiu que o município tomasse recursos emprestados de forma mais adequada. Agora estamos dentro do chamado PAC Mobilidade, o que assegura os recursos mesmo após a Copa do Mundo”, afirmou Urbano Schmitt.
No portal do programa do governo federal, já constam três obras relativas ao sistema BRT – nas avenidas Bento Gonçalves, João Pessoa e Protásio Alves, com os respectivos terminais Antônio de Carvalho, Azenha e Manoel Elias. Segundo Urbano Schmitt, “os BRTs estão se projetando em sequência. O primeiro passo foi a licitação dos corredores de ônibus e da pavimentação, que é um trabalho lento e com impacto na mobilidade”.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
No entorno do Beira-Rio, estádio que sedia a Copa em Porto Alegre, as modificações devem ser finalizadas até junho | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
O próximo processo, para o secretário, deve ser a finalização dos projetos de estações e terminais – que não devem estar prontos até o começo da Copa do Mundo. Para Schimitt, “a substituição das placas de concreto e da pavimentação dos corredores, quando terminados, já nos ajudam muito no contexto da mobilidade urbana”, relativizou. Segundo o secretário, “outras cidades também optaram por essa forma (de financiamento). Porto Alegre era a cidade que tinha o maior número de obras previstas para a mobilidade urbana, mas situações semelhantes ocorreram em São Paulo e outros lugares, com a adequação ao PAC Mobilidade”.
A Prefeitura garante que os novos prazos e condições não devem alterar o custo inicial dessas obras – e afirma que, se houvesse a necessidade de completar as duplicações, construções de viadutos e mudanças nas vias antes do Mundial, então provavelmente o valor das obras aumentaria em relação ao prognóstico inicial. “Se essas obras precisassem ser agilizadas agora, com trabalho à noite em alguns locais, deveriam aumentar os custos. Tendo migrado para o PAC Mobilidade, isso não vai acontecer”, declarou Urbano.
Prioridade é o entorno do Estádio Beira-Rio; situação dos moradores da Avenida Tronco permanece indefinida
Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Urbano Schmitt sobre a situação na Vila Cruzeiro: “na Avenida Tronco a questão social está acima da questão da engenharia” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Ainda que Porto Alegre tenha diversas obras inacabadas em 2014, a Prefeitura aposta na finalização dos projetos próximos ao Estádio Beira-Rio para garantir o acesso do público aos jogos. A duplicação da Avenida Beira-Rio e a construção do viaduto Pinheiro Borba, além da reforma do próprio estádio, que ganha nova cobertura, devem estar concluídas até o próximo mês de junho. No Centro da cidade, o viaduto da Avenida Júlio de Castilhos, segundo o Executivo municipal, também ficará pronto.
Na Zona Sul de Porto Alegre, no entanto, o ponto mais sensível das transformações urbanas da cidade segue sem garantias imediatas para a população diretamente envolvida. A duplicação da Avenida Tronco, na Vila Cruzeiro, prevê a remoção de 1.500 famílias do bairro e, na semana passada, a reportagem do Sul21 relatou que menos de um terço dos moradores tiveram a situação definida até o momento.
Da mesma maneira com que as famílias que optaram pelo aluguel social não devem ter as novas moradias prontas até junho de 2014, a duplicação da avenida tampouco deverá ser concluída para o Mundial. Para Urbano Schmitt, “na Avenida Tronco a questão social está acima da questão da engenharia, e é preciso considerar isso”. Para o secretário, a Prefeitura demorou a encontrar empresas interessadas na construção das novas moradias, o que só ocorreu há poucos dias. Ainda assim, o município “nesta fase depende da Caixa Econômica Federal, sendo impossível estipular um prazo” para as casas saírem do papel.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Prefeitura de Porto Alegre troca seis por "meia dúzia" e prossegue com os despejos da Copa

Matéria do Portal Sul 21


Cinco famílias são retiradas de Santa Tereza para que local receba removidos da Avenida Tronco

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Na tarde da última quinta-feira (25), cinco famílias foram removidas da Rua Santa Cruz, no bairro Santa Tereza. Prefeitura alega que local receberá removidos da Avenida Tronco | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Iuri Müller
No dia seguinte, o chão ainda exibia rastros de paredes derrubadas, de móveis que ficaram para trás. Perto de um televisor antigo, era possível enxergar uma carta de amor com caligrafia adolescente. Na última quinta-feira (25), cinco famílias foram removidas da Rua Santa Cruz, no bairro Santa Tereza. A Prefeitura de Porto Alegre informa que o local servirá para reassentar moradores da Avenida Tronco, retirados da Vila Cruzeiro por conta da duplicação da via, uma das obras que integram as modificações urbanas para a Copa do Mundo de 2014.
Na tarde desta sexta-feira (26), Evandro Carvalho dos Santos voltou ao lugar em que, na véspera, as máquinas derrubaram cinco casas em poucos minutos. Evandro era um dos moradores da área que, há décadas, abrigava também um terreiro religioso de matriz africana. O terreno ainda estava no nome da antiga proprietária, a já falecida Marcelina Martins – conhecia no bairro como Mãe China de Ogum. Quatro das cinco famílias, segundo o Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB), haviam deixado o local previamente e optado pelo aluguel social.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“A verdade é que fomos postos para correr de onde morávamos”, afirma morador | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Uma delas, no entanto, preferiu permanecer. O diretor-adjunto do DEMHAB, Marcos Botelho, afirmou que “não foi a Prefeitura de Porto Alegre que escolheu a área da (rua) Santa Cruz para reassentar as famílias removidas pelas obras da Copa”. Segundo Botelho, a indicação partiu de líderes comunitários da região, formada por bairros como Cristal, Glória e Vila Cruzeiro. O advogado Onir Araújo, que auxiliou as famílias no processo de desapropriação, disse que “há vários terrenos vazios, já desapropriados, para reassentar as famílias da Avenida Tronco”. Segundo Araújo, a Prefeitura ainda não começou a construir nenhuma das moradias prometidas.
Antes de ser levada a cabo a remoção na tarde desta quinta-feira, o Comitê Popular da Copa afirmou ter indicado outros dezessete possíveis locais para receber os moradores da Vila Cruzeiro. A Prefeitura afirma que vinha negociando com as famílias da Rua Santa Cruz. “Houve diálogo e reuniões na Câmara de Vereadores. Quatro famílias optaram pelo aluguel social, outra disse que ficaria na área por questões partidárias”, disse Marcos Botelho.
Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Quatro das cinco famílias, segundo o Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB), haviam deixado o local previamente e optado pelo aluguel social | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Os herdeiros da antiga proprietária serão indenizados, segundo o DEMHAB, em um valor próximo a R$ 530 mil pela desapropriação. Para Evandro Carvalho dos Santos, o montante é muito menor do que o real valor do terreno – próximo a grandes casas do bairro Santa Tereza. O antigo morador do local se queixou do tratamento recebido no dia remoção. “Eles chegaram perto das nove horas da manhã e nos disseram que tínhamos três horas para sair de casa. Não houve conversa, estavam prontos para agir”, conta.
Onir Araújo questiona também a velocidade com que ocorreu a remoção: “por que a pressa para desapropriar aquelas cinco famílias negras, com um assentamento religioso de matriz africana dos mais antigos de Porto Alegre, num lugar em que está cheio de mansões por perto?”. Para o advogado, o episódio “foi a expressão categórica do racismo” do poder municipal. Por volta das quatro horas da tarde desta sexta-feira, moradores de ruas próximas caminhavam pelo terreno, já completamente desabitado, e procuravam por objetos e materiais que pudessem servir para as suas casas.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Maior parte das famílias da Avenida Tronco ainda espera por definições

Do Portal Sul 21

Por Ramiro Furquim/Sul21
Os moradores têm três alternativas na atual situação: recorrer ao aluguel social, optar pelo bônus moradia ou buscar a indenização do valor do atual imóvel | Por Ramiro Furquim/Sul21
Iuri Müller
Há meses, o cenário da Vila Cruzeiro, situada na Zona Sul de Porto Alegre, se modifica todos os dias. Na Avenida Moab Caldas, a popular Avenida Tronco, máquinas aparecem ao longo da via que está sendo duplicada. Algumas casas já foram derrubadas, outras ainda esperam pela avaliação do Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB). Ao todo, cerca de mil e quinhentas famílias precisarão ser removidas do local em que vivem hoje – e, até aqui, menos de um terço delas têm a situação regularizada.
O processo de remoção das famílias da Vila Cruzeiro sofre contestação por parte dos movimentos sociais e de alguns moradores. No início de julho, uma manifestação organizada pelo Bloco de Lutas pelo Transporte Público e o Comitê Popular da Copa percorreu as ruas do bairro, defendendo as garantias das famílias envolvidas na obra da Prefeitura. Criou-se, também, o programa “chave por chave”, ligado ao Comitê Popular, no qual a comunidade busca a certeza de ter uma nova habitação para, só então, deixar a atual residência.
Basta uma caminhada pelas proximidades da Avenida Tronco e algumas conversas com a vizinhança para perceber que muitos moradores demonstram certa insatisfação com o processo. Alguns se queixam das alternativas oferecidas pelo DEMHAB, outros da demora que o poder público estaria mostrando para depositar o valor das reparações. No entanto, também existe silêncio e desinformação: há quem esteja na rota da duplicação da via e não saiba, até agora, quando e como precisará deixar o local.
No mural, ofertas para Alvorada, Viamão e Imbé
Por Ramiro Furquim/Sul21
Nesta terça-feira (23), mais casas foram derrubadas na Avenida Tronco | Por Ramiro Furquim/Sul21
Para Marcos Botelho, diretor-adjunto do DEMHAB e responsável pela negociação com as famílias no projeto da Avenida Tronco, os moradores têm três alternativas na atual situação: recorrer ao aluguel social, de até R$ 500,00 por família, optar pelo bônus moradia, no valor de R$ 52.340,00, ou buscar a indenização do valor do atual imóvel. “O aluguel social é voltado para quem deseja permanecer no bairro. As famílias receberão este valor até que as moradias do programa Minha Casa, Minha Vida estejam prontas”, afirma Botelho.
No entanto, segundo o DEMHAB ainda não é possível apontar um prazo para a finalização das residências, que ainda não saíram do papel. O bônus moradia tem sido a saída mais procurada pelos moradores, que não permaneceriam nos bairros próximos à Vila Cruzeiro. “Ainda existe a opção de indenização. Temos o acordo com uma empresa terceirizada, que a partir de um laudo nos dá o valor comercial que deveremos pagar pelo imóvel”, conta Marcos Botelho.
O Departamento Municipal de Habitação conta com um escritório nas primeiras quadras da Avenida Tronco, direcionado para o projeto das remoções e a negociação com a comunidade da Vila Cruzeiro. Quem entra na sala logo se depara com um mural repleto de ofertas de imóveis – a maior parte deles, com valor muito próximo ao que se paga pelo bônus moradia. Alguns dos destinos sugeridos ficam em Porto Alegre, em bairros como Restinga e Rubem Berta. Entretanto, parte dos papeis aponta para cidades da Região Metropolitana, como Alvorada e Viamão, ou do litoral, como Imbé.
Moradores se queixam de atraso nos pagamentos e de incertezas nas negociações
Por Ramiro Furquim/Sul21
“Sem a garantia de outra casa, eu não saio daqui”, afirma moradora | Por Ramiro Furquim/Sul21
“Estou esperando há dois meses pelo pagamento do bônus moradia, que está muito atrasado. Eu tinha uma casa garantida na Glória, com contrato feito, e até agora não foi depositado o valor. Hoje vai vencer o terceiro prazo, e estou com medo de perder o negócio”. O relato é da diarista Therezinha da Silva, que vive há mais de vinte e cinco anos na Avenida Tronco. Além da demora para receber o dinheiro, ela lamenta a falta de diálogo com representantes da Prefeitura.
Marcos Botelho justifica possíveis atrasos nos pagamentos: “o bônus moradia é uma lei específica que foi aprovada pela Câmara. Para ser aprovado(o depósito do valor) é preciso uma série de documentos, e em alguns casos há dívidas grandes que inviabilizam a entrega”. Therezinha da Silva, como outras moradoras, afirma que não irá optar pelo aluguel social, alternativa que seria demasiado incerta. “Sem a garantia de outra casa, eu não saio daqui”, defende-se.
A poucos metros dali, Teresa Alves observava na calçada se alguém nas redondezas poderia solucionar o seu problema – a casa que fica exatamente ao lado da sua havia sido derrubada na véspera, e desde então Teresa ficou sem água. Com a ação das máquinas, alguns canos foram quebrados. A idosa, de mais de setenta anos, também precisará buscar outro destino. A duplicação da Avenida Tronco não prevê a continuidade do sobrado no local em que está há quase quarenta anos. “Assim como eles têm o compromisso de derrubar, precisam aparecer aqui para conversar com a gente”, diz. Teresa afirma esperar há dez dias a visita da Prefeitura para avaliar a sua casa, o que não ocorreu até a última terça-feira (23).
Marcos Botelho garante que o DEMHAB trabalha “com o convencimento”, para que todas as famílias removidas saiam com “segurança e garantias”. “O tempo desta remoção é o tempo destas famílias. Elas optam pelo tempo de convencimento delas, e nós temos que dar muita informação para que façam a melhor escolha”, afirma. Até o dia 23 de julho, 330 famílias optaram pelo bônus moradia, 65 pelo recebimento do aluguel social e outras 60 pelo processo de indenização. Outras mil famílias estariam, portanto, com a situação indefinida. As informações são do próprio DEMHAB.

sábado, 20 de julho de 2013

Manifesto dos Atletas pela Cidadania crítica gestão de megaeventos no Brasil.

A Associação Atletas pela Cidadania, lançou no dia 17/07 um manifesto sobre os megaeventos esportivos que aponta a falta de legados para o país.

A entidade é hoje presidida por Ana Moser e dela fazem parte esportistas como Mauro Silva, Cafu, Raí, Lars Grael, Magic Paula, Fernando Meligeni, Gustavo Borges, Joaquim Cruz e muitos outros

Leia abaixo o manifesto na íntegra, que procura ecoar a voz das ruas nos protestos de junho que abalaram o Brasil:

“Há mais de dois anos, a associação Atletas pela Cidadania vem tentando chamar a atenção do governo para a importância de uma agenda de um legado dos grandes eventos esportivos.

Copa e Olimpíadas têm um valor inegável para o país que as recebe, mas somente se tornam uma oportunidade efetiva quando a prioridade do interesse público é a regra e quando existam propostas concretas de Legado Esportivo e Social.

O interesse público e a transparência têm que prevalecer em todas as ações: nas obras, construções, intervenções sociais ou investimentos públicos e privados. Mais do que isso: todos os recursos gerados pelos eventos devem ser destinados ao desenvolvimento social e econômico do país, chegando de forma positiva na vida das pessoas.

Nós, Atletas pela Cidadania, somos contra a destinação de recursos públicos para benesse de alguns, as remoções que violam os direitos humanos, a corrupção e a falta de transparência nas decisões e nas contas. Tudo isso é contra o espírito e os valores do Esporte.

Acreditamos nos valores positivos do Esporte e sabemos do seu impacto no desenvolvimento do país. O Esporte é direito de todos os brasileiros. Melhora a saúde e a qualidade de vida, diminui a evasão escolar, aumenta o desempenho dos alunos.

Repetimos: há mais de dois anos apresentamos uma agenda positiva ao país, com dois pontos centrais para o Legado Esportivo e Social da Copa e das Olimpíadas: o Esporte acessível a todos os brasileiros e a urgente revisão do Sistema Esportivo Nacional. As diretrizes são claras. Limitar o mandato de dirigentes esportivos, definir os papéis e integrar os entes federativos, abrir à participação democrática de atletas, qualificar educadores e profissionais esportivos permanentemente, ampliar a infraestrutura esportiva pública.

São medidas para garantir o acesso ao Esporte para todas as pessoas, de norte a sul. Além de desenvolver a cultura esportiva no país e levar os benefícios do Esporte a todos. E como consequência natural, também melhorar o esporte de alto rendimento e suas conquistas.

Felizmente, o país hoje clama por mudanças. A agenda pública deve se balizar pelo que seu povo decide e não só pelo que seus governantes acreditam que sejam as prioridades. O dia a dia do poder tem afastado a máquina pública do interesse público. Vivemos uma crise da democracia representativa, cuja solução está em ouvir diretamente os detentores reais do poder – o povo.

Queremos ser ouvidos e por isso solicitamos:

1. A criação de um comitê interministerial para a reestruturação da legislação do sistema esportivo nacional e a criação de um Plano Nacional de Esporte. Com metas, estratégias, métricas de avaliação e resultados claros. Um comitê com participação da sociedade, com voz e voto, liderado pela Presidência da República.

2. Aprovação de legislação que dispõe sobre as condições necessárias para as entidades do Sistema Nacional de Esporte receberem recursos públicos (emenda nº à MP 612 e emenda nº à MP 615).

3.Total transparência dos investimentos e das apurações referentes às denúncias de violações de direitos humanos nos grandes eventos esportivos, como exploração sexual infantil, remoções sociais forçadas, sub-emprego”.

Informações sobre a Associação Atletas pela Cidadania você encontra em http://www.atletas.org.br/

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Greve Geral em Porto Alegre apoia ocupação da Câmara de Vereadores

Marcha pelas principais ruas de POA

Com a paralisação de todos os ônibus da Carris, em Porto Alegre, e a Trensurb a funcionar apenas entre as 5 e as 8 horas e as 17 e as 20 horas, previa-se uma grande Greve Geral para este 11 de Julho. Para além dos setores públicos, a paralisação dos transportes, que dificultou o acesso à cidade de Porto Alegre, provocou a abertura de poucos estabelecimentos privados. Para muitos, Porto Alegre estava mais vazia do que em feriado.

Um protesto teve lugar, por volta das 14h, em frente ao Grupo RBS. Cerca de 40 pessoas manifestaram-se contra o grupo empresarial e pela democratização dos meios de comunicação. O ato serviu ainda como denúncia da ligação da RBS à ditadura militar. Os militantes, maioritariamente do Levante Popular da Juventude, entoavam palavras de ordem, tocavam bateria e pintavam cartazes.

Ao ato em frente ao Grupo RBS juntaram-se duas outras marchas, nas quais já se identificavam bandeiras da CUT, do MST, de organizações estudantis, e faixas com reivindicações de mais investimentos em saúde e educação, jornada de trabalho de 40 horas semanais, entre outras pautas. Manifestantes colaram adesivos nas portas da sede do Grupo RBS pedindo o “plebiscito já” e a “taxação das grandes fortunas”.




As marchas convergiram e seguiram juntas numa manifestação tranquila até ao Largo Glênio Peres, onde se concentraram cerca de 2.000 pessoas. Num carro de som instalado no largo, fizeram-se ouvir as pautas reivindicadas e também muito apoio aos jovens que ainda ocupam a Câmara de Vereadores, desde quarta-feira, dia 10, pelo passe livre e pela abertura e publicação das contas das empresas públicas de ônibus.




Na rua estiveram diversos movimentos sociais e centrais sindicais, como a 
Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), do Sindicato dos Professores (Sinpro) e do Sindicato dos Farmacêuticos (Sindifars), MST, Levante Popular da Juventude, Comitê Popular da Copa, UNE, entre outros.

Câmara de Vereadores de POA ocupada

Num ato pacífico, acompanhado à distância pela Brigada Militar, não houve registo de nenhum incidente. Um show, por volta das 17h, fechou o ato no Glênio Peres. Alguns manifestantes seguiram para a Câmara ainda ocupada, para participar de uma assembleia aberta. 


Assembleia no pátio da Câmara de Vereadores
Fotos: Sindppd/RS