terça-feira, 7 de junho de 2011

Relatora da ONU conversa com Juca Kfouri sobre os impactos da realização da Copa do Mundo no Brasil

No fim de semana a relatora da ONU Raquel Rolnik participou do programa de entrevista do Juca Kfouri, no canal ESPN. Eles conversaram sobre os impactos da realização da Copa e das Olimpíadas no Brasil, tanto do ponto de vista urbanístico, quanto do ponto de vista dos direitos humanos, especialmente do direito à moradia, que é o tema que Rolnik vem acompanhando como Relatora Especial da ONU.

Clique no link abaixo para ver um trecho da conversa:
Relatora da ONU é convidada do Juca Entrevista

Observatório da Imprensa debate a corrupção no futebol

TV Brasil
O Observatório da Imprensa desta terça-feira (7), às 22h, vai debater os problemas relacionados à realização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

A preocupação com a infraestrutura do país tem espaço garantido nos cadernos de cidade e até no de política, mas quando se trata da construção de estádios e escândalos envolvendo dirigentes, o assunto se restringe às páginas de esporte.

Será que suspeitas de corrupção na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não deveriam receber um destaque maior da imprensa? Um escândalo mundial envolvendo a FIFA não merece uma análise política? De que forma isso pode influenciar no bom andamento do Mundial que o país realizará daqui a 3 anos?

Para falar sobre essas questões, Alberto Dines recebe no estúdio os jornalistas Walter de Mattos Jr. (Lance),  Antônio Nascimento (O Globo) e  Marcos Augusto Gonçalves. O programa ainda ouviu a opinião dos jornalistas Juca Kfouri,  Clovis Rossi e Otávio Leite; e dos correspondentes  Silio Boccanera (Londres) e  Cristiane Ramalho (Berlin).

O programa é transmitido pela TVE/RS.

Comitê de Fiscalização Orçamentária discute relatório do TCU sobre a Copa

Agência Câmara

O Comitê de Avaliação, Fiscalização e Controle da Execução Orçamentária da Comissão de Orçamento se reúne hoje para discutir o relatório “O TCU e a Copa do Mundo”, divulgado em abril.

O Tribunal de Contas da União (TCU) é responsável pela fiscalização de todas as obras para a Copa de 2014 executadas com recursos federais (portos e aeroportos) e as concessões de financiamento (operações de crédito) sob a responsabilidade da Caixa e do BNDES. Em relação às obras de competência municipal e estadual, o órgão, no âmbito da Rede de Controle da Gestão Pública, auxilia o acompanhamento por meio de análises dos projetos básicos e executivos.

Constam do documento também:

- a organização interna do tribunal para a fiscalização das obras;
- as datas previstas para conclusão das obras;
- a situação atual dos financiamentos dos estádios e das obras de mobilidade urbana;
- o resumo dos processos de fiscalização já executados; e
- as características das 12 arenas esportivas a serem construídas ou reformadas.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Na cidade maravilhosa, milhões de reais para Copa e olimpíadas; para bombeiros, repressão e prisões

Bombeiros acampam no Rio em protesto contra prisões 
Em protesto contra a prisão de 439 bombeiros que ocuparam o quartel central da corporação durante protestos por melhores salários, no fim de semana, colegas e parentes dos detidos tomaram as escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio.

A vigília, que conta com barracas de camping e uma cozinha improvisada, teve início na madrugada de segunda-feira 6, quando cerca de 30 pessoas se dirigiram ao local para acampar. Eles estão em barracas de camping e numa delas improvisaram uma cozinha, onde estão sendo preparados sucos e sanduíches. A Polícia Militar acompanha o ato, com três viaturas do batalhão do centro e duas do Batalhão de Choque.

Do lado de dentro, os protestos já surtem efeito. Deputados decidiram criar uma frente parlamentar em defesa da categoria e prometem trancar a pauta se os militares não forem soltos.

A situação dos militares será discutida em uma reunião marcada para esta tarde, no gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (P-SOL). Foram convidados para participar da reunião representantes da categoria, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e da Defensoria Pública.

Do lado de fora, o movimento se intensificou pela durante a manhã. Nos pilares do palácio, uma faixa foi estendida com os dizeres: “Resistir é preciso”. Os protestos também foram expostos em faixas menores com mensagens como “Bombeiros são heróis; não são vândalos” e “Vândalo é quem prende herói”. Na véspera, um grupo de cerca de 50 bombeiros promoveu uma marcha na Ponte Rio-Niterói para protestar contra a prisão dos colegas.

Eram as primeiras reações contra as declarações do governador Sérgio Cabral (PMDB), que no dia seguinte à ocupação chamou os militares de “vândalos” e demitiu o comandante-geral do Corpo de Bombeiros no Estado, coronel Pedro Machado. Para retirar os manifestantes do pátio do quartel, o governador recorreu à tropa de choque da PM e ao Batalhão de Operações Especiais (Bope).

No dia seguinte, Cabral voltou a recriminar os atos, na tentativa de mostrar que a ocupação era promovida por uma minoria entre os 17 mil bombeiros do Estado interessada em desestabilizar seu governo.

“Esse grupo qualificou de ‘manifestação pacífica’ a invasão para a qual levou crianças junto a marretas, utilizadas em agressões. Ninguém planeja levar marretas para ‘manifestações pacíficas’. E é incomensurável a gravidade de unir armas a crianças – expondo-as a todo tipo de risco – por parte daqueles que se apresentaram como líderes da manifestação”, declarou o governador.

A ocupação do quartel geral dos Bombeiros, na noite de sexta-feira, aconteceu em meio aos protestos da categoria por aumento salarial. Eles exigem que o piso atual dos militares, de 950 reais, seja ajustado para 2 mil reais. Pedem também melhores condições de trabalho. No quartel da corporação, que teve o portão principal derrubado, dez policiais militares fazem a segurança. O portão, derrubado durante a manifestação, foi recolocado.

Na manhã desta segunda-feira, a Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou a intenção de se reunir com representantes de outras entidades para traçar os rumos das negociações com o governo do Estado.

Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, os militares amotinados podem ser expulsos. Antes, devem agora responder administrativamente e criminalmente pelo ato. O processo deverá ser aberto pelo Ministério Público.
Fonte: Carta Capital

E a Copa 2014...

Enviado ao Comitê Popular pelo chargista Eugenio

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Assembleia Geral da ANPUR aprova moção contra violação de direitos humanos

Reunidos no XIV Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional, no Rio de Janeiro, de 23 a 27 de maio de 2011, professores, pesquisadores, profissionais e estudantes que se consagram ao ensino e pesquisa em planejamento e no campo dos estudos urbanos e regionais, vêm manifestar às autoridades governamentais – federal, estaduais e municipais – sua enorme preocupação com políticas, planos e projetos que, a pretexto da realização da Copa do Mundo 2014 e das 
Olimpíadas 2016, vêm violando abertamente direitos humanos consagrados pela constituição e pela legislação urbana, em primeiro lugar o direito à moradia.

Evocando tempos sombrios da ditadura militar, as remoções violentas de comunidades populares e a periferização forçada das camadas mais pobres voltam à agenda urbana. Leis e normas de exceção, renúncias fiscais e isenções urbanísticas promovem a aparência de legalidade que pretende legitimar a política de limpeza étnica e social que aprofunda, e mesmo celebra, a segregação social em nossas cidades. Bilhões de reais são consagrados à construção de equipamentos esportivos que se transformarão em elefantes brancos, monumentos à irresponsabilidade social e à corrupção. Enquanto isso, mais de 40% de nossa população urbana não têm acesso a saneamento básico, a educação pública se degrada, o atendimento à saúde se deteriora, serviços públicos essenciais carecem de recursos mínimos.

Neste momento grave para nossas grandes cidades, em particular aquelas que sediarão a Copa e as Olimpíadas, quando as autoridades declaram seu compromisso com o legado social dos megaeventos esportivos, instamos estas autoridades a abrirem um amplo e democrático debate sobre a utilização dos recursos públicos e a suspenderem as remoções de bairros e comunidades populares.

Rio de Janeiro, 27 de maio de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Nesta terça-feira, em Porto Alegre: protesto Por uma Copa Mundial de Futebol que respeite os direitos da População

Manifestação nesta terça-feira, dia 31 de maio, às 16 horas
No Paço Municipal de Porto Alegre

Por uma Copa Mundial de Futebol que respeite os direitos da População!

- Nenhuma remoção de moradia de forma arbitrária;
- Em defesa do Território Afrosul Odomodê;
- Respeito aos espaços culturais;
-Titulação dos Quilombos;
- Por investimentos para atender e qualificar os serviços públicos para o público

Participe!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sem teto exigem moradia digna em protesto na prefeitura de Porto Alegre

Raquel Casiraghi - GT Comunicação

Famílias ligadas ao MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia) protestaram nesta quinta-feira (26) em frente à prefeitura de Porto Alegre. Elas querem se reunir com representantes da prefeitura para tratar da situação precária de loteamentos populares nos bairros Restinga e Lami, na Zona Sul da Capital.

Segundo relatos de lideranças, cerca de 48 famílias ainda prosseguem vivendo sem água, luz e saneamento básico em um loteamento no Lami. A situação era para ser temporária, mas já perdura há seis anos. “As famílias só têm luz elétrica porque foram feitos ‘gatos’ na rede, mas a luz vive caindo, podendo estragar aparelhos eletrônicos e domésticos. Só há um banheiro; todas as famílias têm que dividi-lo”, contou Rosana.

Já na Restinga, o problema está na cobrança, feita pela empresa Auxiliadora Predial, da administração de um condomínio construído pelo programa Minha Casa, Minha Vida a famílias carentes com renda de até três salários mínimos. De acordo com Rosana, o condomínio e as taxas chegam a R$ 300,00 mensais, um custo pesado. O valor é mais alto do que o próprio financiamento subsidiado do apartamento que as famílias já têm que pagar pelo programa. “Queremos que a prefeitura desfaça esse acordo com a Auxiliadora Predial”, afirmou Rosana. Este condomínio é destinado a 150 famílias.

As reivindicações dos moradores na Restinga:

- Que as famílias possam pagar apenas a taxa mínima de água e luz;

- Construção de equipamentos necessários, como a imediata construção da creche anunciada pelo Prefeito localizada na Edgar Pires de Castro; atendimento com uma linha de transporte que atenda o loteamento Recanto do Guerreiro; instalação de um equipamento de produção de alimentos;

- Quitação da dívida do Município de Porto Alegre de 1 milhão de reais conquistados no  Orçamento Participativo- Região Restinga;

- Inclusão das famílias da Restinga organizadas no MNLM nos novos empreendimentos.

A Copa de 2014 é aqui. E nós, para onde vamos?

Outra reivindicação dos manifestantes envolve a Ocupação 20 de Novembro, que fica em uma área pública nas imediações do Estádio Beira-Rio, na avenida Padre Cacique. As famílias serão removidas do local devido à expansão do estádio para a Copa do Mundo de 2014, mas não se sabe para onde.

As famílias já vivem provisoriamente no local há 4 anos. Para viabilizar as obras para a Copa, a prefeitura doou para o time de futebol Internacional a àrea em que elas residem. As obras já cercam o local, mas até o momento a prefeitura não apresentou nenhuma proposta de reassentamento.

Jornalista britânico dispara: Quando os governantes brasileiros irão dar um basta?

ESPN Brasil

Uma reportagem da emissora britânica BBC, que foi ao ar nesta segunda-feira, revelou que o ex-presidente da CBF, João Havelange, e o atual, Ricardo Teixeira, receberam propina da FIFA, mas, após uma investigação da Suíça, tiveram que devolver o dinheiro, em troca de não terem seus nomes revelados.

O jornalista Andrew Jennings, responsável pela reportagem, revela, agora, o nome dos dirigentes brasileiros, e as acusações se juntam a outros escândalos envolvendo o nome de Teixeira, como o provável pedido de propina por algumas autoridades do esporte em troca de votarem na Inglaterra para sediar a Copa de 2018. 

Em entrevista à ESPN Brasil, Jennings afirmou que o que está acontecendo é uma vergonha para o país: “Quando os governantes brasileiros irão dar um basta?” indagou. “Se eu fosse brasileiro, estaria bravo que meus impostos não estivesse sendo destinado a melhorar a pobreza, a infra-estrutura, a saúde. Está tudo indo para esses ladrões da FIFA”, completou.




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Obras da Copa de 2014 desalojam 65 mil pessoas no País

Almir Leite - O Estado de S.Paulo

Sem diálogo com governo, ameaçados pelo Mundial temem futuro pior que o presente 

 

"Muitos vão sorrir, mas alguns vão chorar." O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, recorre a esta frase sempre que fala sobre o impacto que a arena do clube terá para Itaquera. O riso virá das oportunidades que o estádio paulistano da Copa de 2014 proporcionará a quem vive na região. O choro fica por conta do "preço a pagar pelo desenvolvimento". 

 

Nessa situação estão pelo menos 5.200 pessoas, ameaçadas de despejo para obras no entorno do estádio. É um risco que aflige outras 60 mil pessoas em várias sedes do Mundial, Em São Paulo, moradores de duas comunidades próximas da Arena do Corinthians, as favelas da Paz e da Fatec (também conhecida por Agreste de Itabaiana), estão apreensivas. Temem que o futuro seja ainda pior que o presente. 

 

Na Favela da Paz, a menos 500 metros da futura arena, reclamam da falta de diálogo do poder público. "Estou aqui há 16 anos, já perdi dois barracos em incêndios e ninguém me ajudou a reconstruir", diz Diana do Nascimento, mãe de 4 filhos e que os vizinhos garantem ser a mais antiga moradora do local. "Agora que vai ter Copa, chegam aqui e dizem que temos de sair. Falam que é por causa do córrego (Rio Verde), mas não para onde vamos."