quarta-feira, 30 de março de 2011

Maracanã sediará ato mundial pelo trabalho decente na Copa 2014

Alexandre Praça - Portal Mundo do Trabalho

Organizações sindicais internacionais e brasileiras exigem que a preparação para os eventos esportivos sigam as normas elementares da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Centenas de pessoas se reunirão na entrada do Ginásio do Maracanãzinho nesta sexta-feira, 1º de abril, para pedir trabalho decente na Copa do Mundo de 2014. Será o lançamento de uma campanha internacional liderada por organizações sindicais, ONGs e movimentos sociais internacionais e brasileiros. O evento contará ainda com a presença de representantes do governo do Brasil, das Nações Unidas e da FIFA.

A Campanha por Trabalho Decente na Copa do Mundo de 2014 é liderada pela Internacional dos Trabalhadores da Construção e Madeira (ICM), una organização que reúne dezenas de sindicatos no mundo inteiro e da campanha PLAYFAIR, que conta com o apoio da Confederação Sindical das Américas (CSA) e suas afiliadas brasileiras: CUT, Força Sindical e UGT.

A iniciativa quer garantir que a preparação e organização da Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil sigam os princípios elementares de Trabalho Decente da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Um outro objetivo é defender que os benefícios de sediar um mega evento esportivo não fiquem restritos a um número pequeno de brasileiros, mas que atinjam a todos.

No dia 31 de março está programada uma conferência com a presença do movimento sindical brasileiro junto com organizações internacionais que se mobilizaram durante outras edições dos Jogos Olímpicos e Copa do Mundo na África do Sul, China, Grécia, assim como para Londres 2012. Será uma oportunidade para trocar informações e experiências que podem ser aplicadas agora no Brasil. O programa das atividades podem ser vistos em: www.csa-csi.org/PT_DecentWork Campaign_Launch.doc

Ato de lançamento: 01 Abril - Ginásio do Maracanãzinho, Rio de Janeiro - a partir das 9h

Conferência Trabalho Decente na Copa: 31 de Março - Hotel Windsor Guanabara, Av. Presidente Vargas, 392 - Rio de Janeiro

O novo padrão de dominação ou o conceito do mal nas cidades da COPA

Luix Costa - Comitê Popular da Copa/Centro

A principal preocupação do Comitê Popular da Copa do Centro é esclarecer e mobilizar a população que usa e ou mora no centro da capital dos gaúchos para, junto com os demais Comitês da cidade, os interesses do povo prevaleçam. 

A tentativa de organizar a luta para que os investimentos públicos – e a Copa será financiada por cerca de 98% de recursos federais e muita isenção fiscal – que embasam as promessas de grandes e faraônicas obras sejam principalmente para fazer com que a cidade seja do cidadão. E também para ajudar a fiscalizar o andamento dos trabalhos, pois instâncias que acompanham estas obras apontam inúmeras irregularidades. Por isto, o Ministério Publico Federal chamou uma Audiência Publica, realizada no dia 25 de março, no auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa.

As obras apresentadas até agora configuram entre outras coisas um movimento de mega envergadura arquitetônica, social, política e econômica dos grandes agentes econômicos no país, associado ao governo federal, estaduais e municipais. Serão 12 as cidades que sediarão jogos. Para Porto Alegre, todo este investimento é para abrigar duas partidas, ainda indefinidas, pois vai depender de sorteio de chaves. Mas este movimento todo atingirá as regiões metropolitanas destas 12 cidades, o que vai configurar uma mega tentativa de transformação cultural do país, vinda de fora, orquestrada pela FIFA e as empresas que a financiam. Os acordos firmados por Obama com a presidenta, quando esteve no Brasil, representou a necessidade de colocar as empresas norte-americanas nessas “oportunidades de negócios” em áreas das grandes obras, como planejamento, infra-estrutura, segurança, apoio ao turismo, transportes aéreos de pessoas e cargas entre os dois países. Há compromisso de parcerias público-privadas (PPP) com o governo brasileiro para apoiar os preparativos dos eventos.

No caso de Porto Alegre, todas as obras sonhadas pelos grandes agentes imobiliários, empreiteiras, financeiras estão sendo apresentadas como “para preparar a cidade para a "Copa do Mundo”. Os objetivos são diversos. No plano ideológico, se apoiar no gosto do povo brasileiro pelo futebol e sua seleção. Quem vai se atrever a dizer que tal obra não pode feita? Não quer a Copa em Porto Alegre? Não gosta de futebol? Torce por outro time? Enganchando a obra na Copa, os espertos buscam e têm conseguido, se beneficiar das isenções fiscais e/ou dos financiamentos público direto e indireto.

terça-feira, 29 de março de 2011

Comitês Populares da Copa e FERU/RS organizam plenária nesta quinta-feira

Os Comitês Populares da Copa de Porto Alegre e o Fórum Estadual de Reforma Urbana (FERU/RS) convidam todos os movimentos envolvidos com a questão do direito à cidade para participar de uma Plenária nesta quinta-feira, dia 31 de março, às 19 horas, na sala do Fórum Democrático da Assembléia Legislativa - térreo.

O objetivo é avaliar a mobilização organizada até agora, principalmente a reunião nacional dos Comitês Populares da Copa e a Audiência Pública sobre os impactos das obras da Copa, convocada pelo MPF no dia 25 de março.

Comunidades denunciam falta de transparência nas obras da Copa em Porto Alegre

Tania Jamardo Faillace - Jornalista do GT Comunicação

Fotos: Katia Marko
Nos contos orientais das Mil e Uma Noites, sempre aparece o relato de uma audiência pública com um Cadi, o juiz islâmico, que, nos velhos tempos, recebia os queixosos de sua província, fossem ricos ou pobres, para fazerem suas reivindicações em toda a liberdade.

Esse modelo também existiu no velho reino de Israel, quando o rei Salomão deitava sabedoria e tratava com justiça quem recorria a ele, independente de sua classe social ou amizades influentes.

Um espetáculo parecido aconteceu na Audiência Pública realizada no dia 25 de março, no auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.

O julgamento, porém, permanece em suspenso, até melhor estudo das queixas e evidências.

O evento, que, na verdade, faz parte de um inquérito civil dotado de numeração processual (1.29.000.000396/2011-82) foi uma iniciativa da Procuradoria Geral da República, através do Ministério Público Federal para “acompanhar os impactos do Megaevento Copa do Mundo de 2014”, dentro da jurisdição do município de Porto Alegre, assim como está sendo feito nos demais municípios que sediarão a Copa do Mundo.

Não se trata de uma medida rotineira, pelo contrário. Na área pública, até recentemente, a tendência era levar a questão dentro de um caráter festivo, como um extraordinário e lucrativo investimento no prestígio internacional do País, e, talvez, ganhar mais alguns pontos a fim de sentar no Conselho de Segurança da ONU.

Promotores coordenam audiência

Na mesa instalada no palco, apenas os três promotores: Alexandre Gavronski do Ministério Público Federal, o anfitrião; Luciano Brasil e Francesco Conti, do Ministério Público Estadual.

O Auditório estava razoavelmente concorrido, embora sem a lotação total verificada na audiência pública de janeiro de 2010, quando foi discutida e contestada a entrega do morro Santa Teresa a uma empresa de construção civil por iniciativa da ex-governadora, sob a forma de uma permuta com valor vil, que desalojaria 1.500 famílias e destruiria um santuário ambiental.

O clima emocional também não evidenciou a hostilidade e o tom de guerra e desafio manifestos naquela ocasião: as pessoas presentes estavam dispostas a darem seu voto de confiança aos três Cadis modernos ali presentes: os três promotores.

O destaque ficou por conta dos veteranos militantes de entidades e movimentos comunitários e ambientalistas, tanto moradores de áreas irregulares como moradores dos bairros consolidados. Reparo a fazer: a predominância absoluta de oradores do sexo masculino, com apenas umas três ou quatro exceções femininas. Não vigorou nessa audiência, o sistema de quotas partidárias ou universitárias, detalhe tanto mais notável por ser março o mês da mulher.

Obedecendo a uma ordem de inscrição, os primeiros a se manifestarem foram os representantes das comunidades e entidades ligadas à moradia popular, aos movimentos sociais e aos direitos humanos, ficando para o final o pronunciamento de representantes da prefeitura: Secretaria Especial da Copa (a Secopa) e Secretaria de Governança. Entre os dois momentos, o promotor Alexandre Gavronski, movido por sua própria intuição, ou advertido por alguém, pediu a isenção do público e seu respeito aos oradores institucionais. Foi atendido, com apenas um ou outro momento tenso quando da exposição do Secretário Especial da Copa que mereceu alguns ensaios de vaia.
 
Moradores estão inseguros

A tônica dos pronunciamentos por conta das entidades populares e de direitos humanos, como a Ong Acesso e a Plataforma 10 (relatoria do Direito Humano à Cidade) pôs em evidência a situação de “gato escaldado” da população e das entidades sociais de Porto Alegre. Isto é, os cidadãos de nossa cidade cada vez se sentem menos dispostos a engolir promessas sem garantias, e a acreditar que altas obras e eventos possam vir em seu benefício.

Aliás, essa atitude não é exclusiva de Porto Alegre. O blog da arquiteta Raquel Rolnik, de São Paulo, que vem divulgando informações sobre as conseqüências desastrosas dos megaeventos esportivos nos países emergentes em relação às populações carentes, e outras entidades preocupadas com os direitos humanos e a cidade democrática, se desempenharam com tanta eficiência e poder de convencimento, que as irregularidades de nosso PAC começaram a ser detectadas e denunciadas, com quase três anos de antecedência. 

A maior de todas as preocupações dos cidadãos da área urbana são as remoções anunciadas para possibilitar a realização de obras físicas, principalmente as de caráter público e viário. Em Porto Alegre, a de maior impacto social é, sem dúvida, o alargamento da Vila Tronco, que deve desalojar cerca de 1.800 famílias. Essa obra é considerada prioritária para a realização da Copa, a fim de assegurar o fluxo viário em relação ao estádio do Sport Club Internacional, que sediará os jogos em Porto Alegre.

Mas não é a única. E além desses desalojamentos em área pública, têm sido anunciado outros em áreas privadas (doadas pelo Estado), a fim de ser aproveitada a isenção fiscal oferecida pelo Estado e o Município às obras construtivas que se relacionarem com a Copa.

Assim, muitos projetos aproveitaram o embalo e a carona para pôr em execução seus planos.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Audiência pública debate os impactos das obras da Copa 2014 em POA


Audiência pública discutiu, no último dia 25, os impactos das obras da Copa 2014 em Porto Alegre. Os Comitês Populares da Copa de Porto Alegre e as comunidades do Morro Santa Teresa, do Cristal, da Cruzeiro, da Lomba do Pinheiro, da Zona Sul e da antiga zona rural da cidade participaram do encontro. 

As comunidades denunciaram os impactos negativos das obras previstas pela prefeitura. Em todas as obras a serem realizadas, haverá despejo e realocação de famílias pobres - grande parte delas corre o risco de ser levada para lugares distantes de onde moram hoje.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Audiência pública debate os impactos das obras da Copa 2014 em Porto Alegre nesta sexta

Clique na imagem para ver o convite do Ministério Público Federal
Nesta sexta-feira, dia 25, das 13h30 às 18h30, no auditório Dante Barone (Assembleia Legislativa do RS), o Ministério Público Federal promove audiência pública para discutir os impactos das obras da Copa 2014 na cidade. 

Para o encontro, foram convidadas as comunidades atingidas, o Ministério Público Estadual, a Prefeitura Municipal, o Governo do Estado e as secretarias municipais e estaduais envolvidas com a Copa.

Os Comitês Populares da Copa de Porto Alegre estão se organizando para participar da audiência pública. Já foram confirmadas as presenças das comunidades do Morro Santa Teresa, do Cristal, da Cruzeiro, da Lomba do Pinheiro e da Zona Sul, mais precisamente da antiga zona rural da cidade. As comunidades querem denunciar os impactos negativos das obras previstas pela prefeitura. Em todas as obras a serem realizadas, haverá despejo e realocação de famílias pobres - grande parte delas corre o risco de ser levada para lugares distantes de onde moram hoje.

As comunidades também querem debater alternativas para amenizar os impactos das obras. Caso tenham que ser realocadas, as famílias reivindicam que seja em áreas no mesmo local ou próximas de onde moram. Não aceitam ficar em casas de passagem. Também exigem investimentos, por parte da prefeitura municipal, em infraestrutura, saneamento e na geração de emprego e renda tanto em suas comunidades como nas que serão formadas a partir da realocação dos moradores. As comunidades exigem que a prefeitura, bem como o governo do Rio Grande do Sul e o governo federal invistam nas comunidades pobres, assim como gastarão milhões nas obras nas cidades e nos estádios.
 
Dia Nacional de Mobilização

No Brasil, as outras 11 cidades-sede vão buscar audiências públicas para marcar o dia como uma mobilização nacional. No Rio de Janeiro, será realizado um Ato pelo Direito à Cidade, pela Democracia e Justiça Urbanas, com concentração às 16h na Candelária, seguido de caminhada até a Cinelândia.

25 de março é o Dia Internacional do Direito à Cidade, lançado em 1996, durante a Conferência Habitat II em Istambul. Nesta conferência também se consagrou o Direito à Moradia. Os Fóruns Urbanos que sucederam Istambul estreitaram o enfoque nas cidades ao mesmo tempo em que, com aceleração quase geométrica, a população mundial se dirige às cidades, estejam estas ou não preparadas para receber esta população, em busca de inclusão na economia, abrigo e serviços.

Plenária sobre os Megaeventos Esportivos reúne Comitês Populares da Copa


Representantes dos Comitês Populares da Copa estão participando da Plenária sobre os Megaeventos Esportivos (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016) e seus impactos sociais, financeiros, ambientais, culturais sobre as comunidades e estratégias de ação para as 12 cidades atingidas. O encontro acontece nesta quarta (23) e quinta-feira (24), no Rio de Janeiro.

A plenária será um espaço de trabalho, de articulação e para pensar estratégias. É a oportunidade para apresentar o diagnóstico que está sendo elaborado nas 12 cidades-sede dos jogos, produzir uma análise conjunta entre as cidades impactadas, construir uma estratégia comum de ação para a atuação dos movimentos sociais e, principalmente, ações de mobilização dos comitês populares dos megaeventos esportivos.

Pau e Circo: Copa, Olimpíadas, Movimentos Sociais e Cidade de Exceção


Megaeventos como a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos estão associados, hoje em dia, à execução de grandes projetos de intervenção urbana. A organização desses grandes eventos passa a fazer parte de um tipo de modelo de planejamento urbano, o “empresariamento urbano”.

Intervenções pontuais, capazes de estimular uma renovação urbana e o aburguesamento em diferentes áreas de cidade, são parte fundamental da estratégia do empresariamento urbano. Essas áreas da cidade, valorizadas por obras de infra-estrutura e pela proximidade de equipamentos esportivos, para atrair investimentos e novos negócios, tornam-se palco de despejos e remoções dos moradores pobres, de rua e de habitações irregulares, da repressão aos trabalhadores de rua, ambulantes etc. A cidade também precisa ser livre de conflitos e, para tanto, a repressão policial objetiva intimidar e impedir as manifestações dos críticos e atingidos pelas mudanças.

Copa, Olimpíadas e o Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, os efeitos desse modelo já podem ser percebidos. Todos os projetos de intervenção urbana são voltados para os megaeventos esportivos. Afinal, serão alguns dias de grande divulgação da imagem da cidade, e a propaganda é a alma do negócio. O que está sendo negociado, porém, é bem concreto: são os terrenos públicos e privados que poderiam ser usados para habitação popular. 

Estão sendo negociadas isenções de impostos para os investimentos do capital, enquanto faltam recursos para saúde e educação. Estão sendo negociados novas leis e parâmetros urbanísticos que atendam às grandes cadeias internacionais de hotéis, e que garantam também que os pobres serão removidos para bem longe. Estão sendo negociados mais uma reforma do Maracanã, outra do Sambódromo, além da construção, com dinheiro público, de vilas olímpicas para atletas, árbitros, mídia etc, de forma que as construtoras recebam todos os benefícios, aluguem esses quartos para o poder público antes e durante os eventos, e depois os vendam para os ricos e especuladores. 

Planejamento? Apenas para a elaboração de um cardápio de possíveis intervenções urbanas que serão postas em prática conforme o capital compre ou não cada projeto, através das parcerias público privadas (PPPs). Democracia? Apenas para o capital, que diretamente decide o que e onde será realizado, construído ou utilizado na e da cidade.

Em suma, está sendo negociada a cidade, e com ela todos seus recursos e os direitos dos seus moradores e trabalhadores. E, se flexibilização e desregulamentação são palavras mágicas para o capital e o neoliberalismo, elas são, agora, aplicadas também às cidades. Argumentam que vivemos um momento excepcional, que prazos para obras precisam ser cumpridos para que o Rio e o Brasil não passem vergonha. 

O resultado é a instauração de uma cidade de exceção. Cidade onde leis de licitações, limites de endividamento, leis que regulam os parâmetros urbanos, leis fiscais, ambientais, e mesmo as garantias dos direitos individuais e coletivos são flexibilizadas conforme o gosto do freguês (investidores).

Cadê o social do BNDES? Entrevista especial com Gabriel Strautman


O economista Gabriel Strautman é enfático ao criticar o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES às grandes obras de infraestrutura no país e, principalmente, os megaeventos planejados para acontecerem no Brasil nos próximos anos. 

A principal questão levantada por Strautman na entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone é a falta de transparência do banco quanto aos projetos que ele financia, tanto no que diz respeito aos juros aplicados quanto aos métodos de avaliação dos projetos aprovados. “O BNDES tem buscado fazer com que as indústrias que ele apoia se transformem em empresas orientadas para a globalização, com capacidade de disputar mercados globais. Portanto, não estamos falando de diversificação da economia doméstica, de maior integração regional dentro do país”, relatou.

Gabriel Strautman é economista formado pela Universidade de Brasília e mestre em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, é o secretário executivo da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais.

Clique em mais informações e confira a entrevista. 

terça-feira, 22 de março de 2011

A Copa de 2014 e o Direito à Moradia em Porto Alegre

*Jacques Távora Alfonsin 

As muitas vantagens que o desenho urbanístico de Porto Alegre pode ganhar com a realização da Copa do Mundo de futebol de 2014, tem sido apregoadas pela mídia como indiscutíveis. É como se o evento tivesse caído do céu e as oportunidades de mudança para melhor não pudessem ser desperdiçadas.

A se acreditar no que tem sido publicado, tudo gira em torno de uma palavra de sentido tão ambíguo na sua formulação quanto ambivalente nos seus efeitos: recuperação. “Recuperação do cais do porto”, “recuperação da orla do Guaíba”, “recuperação do morro Santa Tereza”, para se lembrar apenas os projetos mais salientados que estão querendo sair das pranchetas dos planejadores urbanos.



Essa publicidade extremamente bem preparada e arrazoada, os novos edifícios, as praças, os jardins, as vias públicas, os espaços de lazer, brilham de sedução e conveniência, enchem de esperança qualquer um/a que sonhe substituir o velho pelo novo e o feio pelo bonito. A liberdade de iniciativa econômica - especialmente a que impulsiona as imobiliárias e empresas construtoras - que historicamente não deixa de se impor à liberdade política, está vivendo uma expectativa promissora de muitos negócios e lucro abundante.

Até agora, ao que se saiba, lá onde vivem hoje milhares de famílias de trabalhadoras/es pobres, exercendo o seu direito à moradia, diretamente afetadas por essa poderosa iniciativa de intervenção no solo urbano, não mereceram uma lembrancinha que pudesse abafar esse ruído intenso de hábil aliciamento da opinião alheia.

Entre recuperar um lugar da cidade para enxotar quem lá vive e mora, e recuperá-lo para satisfazer necessidades vitais desse mesmo povo, do tipo casa, luz, água, esgoto, vias de acesso, escola, posto de saúde, entorno urbanístico seguro e limpo, a primeira alternativa nem tomou conhecimento, até agora, da segunda.